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domingo, 23 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Polícia

Laudo foi só o início e PF mantém contratos do aterro sanitário na mira

09 dezembro 2015 - 15h21Por Diana Christie

O laudo pericial divulgado pela Polícia Federal que aponta irregularidades no contrato firmado entre a prefeitura e o consórcio CG Solurb representa apenas a ponta do iceberg entre as suspeitas de fraude e de desvios de dinheiro envolvendo a coleta de lixo em Campo Grande e a construção do aterro sanitário no bairro Dom Antônio Barbosa.

Segundo o delegado regional de combate ao crime organizado, Cléo Mazzotti, a documentação sigilosa apenas foi divulgada por se tratar de uma questão ‘urgente’, que precisava de medidas imediatas para evitar mais prejuízos aos cofres públicos. Com o laudo pericial em custódia, o prefeito Alcides Bernal (PP) ficou livre para romper o contrato e abrir novo certame.

“O sigilo desta parte da investigação foi quebrado para dar conhecimento à prefeitura, mas outros documentos referentes à obra continuam em análise. Apesar de participarem do processo licitatório, outras instituições como o TCE (Tribunal de Contas do Estado) não foram notificadas”, explica.

Entre outros motivos, o consórcio continua sendo investigado, pois possui entre seus sócios Luciano Dolzan, genro do megaempresário João Alberto Krampe Amorim, que foi o pivô da Operação Lama Asfáltica, deflagrada em 9 de julho. Apesar de não participar do quadro societário do grupo, Amorim seria o verdadeiro dono da LD Construções, integrante do consórcio.

Por sua vez, Amorim é irmão da deputada estadual Antonieta Amorim (PMDB), que à época da licitação, era casada com o ex-prefeito Nelsinho Trad. Conforme relatório da PF, o empresário e o político eram tão próximos que empresas da família Amorim teriam pagado despesas pessoais do ex-peemedebista, além de diversas doações para a campanha ao Governo do Estado.

Além disso, a PF acompanha de perto o imbróglio envolvendo a recuperação do aterro sanitário da Capital. Construída com recursos do Governo Federal, a obra possui um longo histórico de paralisações e brigas judiciais. Investigações do MPF (Ministério Público Federal) apontam o pagamento de serviços não executados e adulteração de relatórios técnicos.

Delegado Cléo Mazzotti - Foto: André de Abreu

“O aterro tem verba federal então a investigação continua com a gente. Só foi encaminhado para a prefeitura com a autorização judicial. Foi solicitada ao juiz competente a quebra de sigilo do laudo para que pudesse divulgar. Outros dados para serem divulgados ou repassados a outros órgãos só com autorização judicial”, enfatiza Mazzotti.

Por enquanto, a Operação continua em sigilo e deve se estender até 2016. De acordo com o delegado, nenhuma pressão externa deve influenciar o trabalho dos agentes federais, que não receberam um prazo limite para finalizar os relatórios. O objetivo da PF é garantir provas suficientes para obter a condenação de eventuais culpados.