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Polícia

Leiturista ganhava R$ 8 mil por mês para reduzir contas de energia

12 maio 2016 - 18h40Por Alessandra Carvalho

O leiturista Daniel Ramirez, 34 anos, confessou para a Polícia Civil que ganhava R$ 8 mil de 47 comerciantes para burlar o sistema da leitura de energia em vários bairros de Campo Grande.

Daniel cobrava R$ 50 a R$ 1 mil de cada proprietário de residenciais e comerciantes. Na manhã de hoje (12), ele foi preso no Mercado 2 Irmaos na rua Maria da Glória Ferreira Souza, no bairro Ramez Tebet. Ele trabalhava em uma empresa terceirizada que presta serviço à Energisa há oito meses.

Daniel trabalhava fazendo leitura de energia há 12 anos, e durante cinco anos cometeu as fraudes. "Os comerciantes me chamavam quando estavam fazendo a leitura e perguntavam se tinha como diminuir o valor da conta, aí começavam a negociar.  Digitava a metade do consumo e o comerciante gastava 50% a 70% a menos na conta de energia. Na mesma hora já recebia o dinheiro".

O comerciante Dejailton Galdino dos Santos, 34 anos, foi detido após pagar a quantia de R$ 200 para Daniel. "Há oito meses fazia a diminuição na conta do mercado do Ramez Tebet. Ele que pediu para fazer o processo. A conta dele era de R$ 1 mil e pagava somente R$ 500. Ganhava dele R$ 200 há oito meses".

Daniel era registrado na empresa terceirizado e ganhava o salário de R$ 800 a R$ 1,4 mil por mês. "Ganhava pouco e os comerciantes pediam para fazer o negócio para diminuir o preço da conta. Gastava esses R$ 8 mil que ganhava dos comerciantes com cachaça, farra e mulherada. Não conseguia investir o dinheiro. Quase perdi a minha esposa. Tenho dois filhos de 12 anos e dois anos. E estou arrependido".

 

Delegado João encontrou diversas contas de energia na casa de Daniel. Foto: Alessandra Carvalho 


O delegado João Reis Belo, da 5ª Delegacia da Polícia Civil, disse que o comerciante Dejanilton confessou que pagava o valor de R$ 200 para o leiturista Daniel. "Na casa do Daniel foram encontradas várias contas de energia. Isso causou prejuízo junto a Energisa. Ele trabalhava na empresa que prestava esse serviço. Será investigado se tinha outras pessoas envolvidas. A ocasião faz o ladrão. Ele acabou achando uma facilidade. E agora percebeu que o crime não compensa. Ganhava R$ 8 mil e confessa que praticava o fraude com os comerciantes".

O advogado de Dejanilton não quis ceder entrevista. A unidade consumidora do Mercado 2 Irmãos  estava registrado no nome do irmão Clailton Galdino dos Santos. O caso foi registrado como corrupção passiva e corrupção ativa