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Polícia

Maioria dos crimes na fronteira do MS é 'pistolagem' e de difícil resolução

17 abril 2016 - 09h50Por Mariana Anunciação

Quantas notícias já nos deparamos de crimes bárbaros que ocorrem na fronteira do Mato Grosso do Sul? O agravante, é que em muitas vezes, não há nem suspeita dos autores, famosos 'pistoleiros'. Percebe-se que a maioria dos crimes têm haver com o narcotráfico e mesmo montando uma força-tarefa é difícil enfrentar essa ‘guerra’ contra o crime organizado.

“O tráfico Internacional e Interestatal é de responsabilidade da União. Nós, a Polícia Civil, cuidamos das bocas de fumo local, do tráfico regional que também incomoda a população. Pegamos algumas mulas ou agenciadores que conseguimos interceptar, mas não é o foco do nosso trabalho”, contou o delegado Patrick Linares, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã.

Diante do cenário, o delegado explica que o dia a dia de quem atua na segurança pública é desgastante, visto que a maioria dos homicídios tem ligação com o narcotráfico, crime organizado e as mortes são encomendadas.

“É muito difícil resolver crimes de pistolagem, porque envolve o país vizinho (Paraguai). Agora, resolvemos quase 100% dos outros homicídios, como crimes passionais e acerto de contas. O problema da pistolagem é que a região é propícia, facilita a fuga pela fronteira, não temos controle, é um ambiente próprio para acontecer esse tipo de delito”. contou.

Ao ser questionado sobre o fato da população perder a esperança na força policial e até mesmo os investigadores desanimarem, ele afirma que cumpre sua missão.

“A gente faz o que é possível. Outra dificuldade é saber quem cometeu o crime, mas não ter como provar juridicamente. As testemunhas não se revelam, e muitos crimes não geram condenação por falta de provas. É bem complicado trabalhar sabendo que a própria população não colabora, não denuncia. Todo mundo prefere a fronteira aberta para ter liberdade, mas quando ocorre homicídio a culpa é da polícia. Não podemos desanimar, mas também, não tem como nos responsabilizar por tudo”, desabafou.

São diversos os crimes sem dissolução, a foto que ilustra a matéria por exemplo é do comerciante, Marcos Daniel Ayala Guerrero, de 30 anos, que foi executado por pistoleiros, no início da tarde do dia 28 de março, quando estava sentado tomando tereré em uma oficina mecânica, na fronteira com Ponta Porã.