Vilmar Acosta, conhecido como Neneco, está preso na sede da Polícia Federal de Campo Grande. Ele é ex-prefeito da cidade paraguaia de Ypejhú e apontado como mandante da execução do jornalista do ABC Collor, Pablo Medina, 56, e sua assistente, Antônia Almada,19, mortos no dia 16 de outubro de 2014, em meio as eleições de segundo turno no Brasil.
Após as mortes, uma Comissão Internacional do Congresso Paraguaio esteve na Procuradoria da República em Brasília pedindo a extradição de Vilmar e fazendo ligações do integrante do Clã Acosta com o governador de MS, Reinaldo Azambuja. O Senador paraguaio Arnoldo Wiens, afirmou que não há dúvidas sobre as conexões existentes entre o grupo de Acosta e políticos brasileiros.
Operação
De acordo com informações da Polícia Civil, Vilmar foi preso na última quarta-feira (4), após uma operação coordenada pelo delegado regional de Polícia de Naviraí, Claudineis Galinari e que envolveu policiais de outras cidades como Mundo Novo, Dourados.
Um monitoramento foi conduzido por cerca de 30 dias, tempo em que se apurou grande quantidade de parentes de Vilmar em Dourados e região. A prisão foi feita na cidade de Caarapó e em seguida ele foi encaminhado para Dourados e posteriormente Campo Grande, onde se encontra detido na sede da Polícia Federal.
A reportagem entrou em contato com a PF, que confirmou a presença de Vilmar na carceragem e disse que não há prazo para que ele permaneça preso.
“Ele chegou na quinta pela manhã, vindo de Dourados. Está sendo feita uma análise na documentação, se tem condenação ou praticou algum crime no Brasil. Vilmar Acosta alega nacionalidade brasileira, mas isso não ficou comprovado até o momento. Há um pedido de deportação dele para o Paraguai. Então, acreditamos que mais provável é que ele seja deportado”, explicou a assessoria de imprensa da PF.
Morte de Pablo Medina e Antônia Almada
Pablo foi o terceiro jornalista assassinado no Paraguai em 2014. Sua morte ocorreu quando ele voltava de uma apuração na área rural de Crescêncio González, na cidade paraguaia de São Pedro.
Pablo era repórter do ABC Color havia 16 anos. Trabalhava em Curuguaty, a 250 quilômetros de Assunção, e sofria várias ameaças por seus trabalhos denunciando produção de maconha na região. No entanto, a região onde Pablo estava quando foi executado - de Crescencio González - destaca-se pelas frequentes denúncias contra o agronegócio.
A comunidade pertence à Federação Nacional Campesina (FNC) e abriga cerca de duas mil pessoas. Lá, há protestos constantes dos trabalhadores rurais que questionam o impacto do avanço monocultura de soja para exportação praticada no local, que inclui o uso abusivo e ilegal de agrotóxicos, em plantações próximas a região onde eles vivem e trabalham.
Os campesinos reclamam que a química utilizada pelos grandes produtores de soja vem destruindo suas plantações e tornando a terra improdutiva, o que os obriga a vender suas pequenas porções de terra, que são em média de 15 hectares cada.
Na tentativa de evitar a expansão da soja e a fumigação ilegal, eles realizaram diversos protestos, mas são duramente reprimidos pela polícia. Em um deles, um tiro de bala de borracha chegou a deixar um homem sem olho.
Um das empresas localizada na área de conflito é a Agroganadera Aguaray, do empresário brasileiro Evaldo Araújo. Estima-se que a Agroganadera Aguary cultive soja em pelo menos 30.500 hectares no interior do Paraguai. Os trabalhadores rurais cobram do Ministério da Agricultura assistência para fazer com que a lei que impõe condições para a fumigação seja cumprida.
Naquele dia 16 de outubro, ao voltar da área campesina, Pablo, Antônia e uma terceira ocupante do veiculo foram vítimas de uma emboscada: dois motoqueiros de roupas camufladas cercaram o carro em que estava com outras duas pessoas e dispararam vários tiros de arma de fogo.
Uma das ocupantes do veículo, que estava com Pablo e Antônia ficou ferida, mas conseguiu escapar e foi socorrida por um trabalhador rural. Com Vilmar, já são cinco pessoas envolvidas no crime atrás das grades até o momento. Ele é considerado foragido da Justiça Paraguaia.
Relações
As declarações do senador Arnoldo Wiens foram feitas com base em depoimentos de Arnaldo Cabrera, motorista de Vilmar Acosta. “Em várias ocasiões esteve na casa de Vilmar o político brasileiro Reinaldo Azambuja, conhecido como 45. Ele sempre vinha acompanhado de vários políticos brasileiros”, revelou o motorista em depoimento.
A informação foi rebatida por Azambuja, que disse serem "mentirosas, levianas e absolutamente irresponsáveis". O governador de MS disse, também, ter isntruido seus advogados a fim de adotarem todas as medidas judiciais cabíveis, tanto no Brasil como no Paraguai, para reparar os danos contra a sua imagem.
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