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Polícia

Mesmo com alertas, caos nos presídios continuam e tendência é piorar

21 abril 2016 - 15h13Por Mariana Anunciação

Diversos atentados estão ocorrendo dentro dos presídios de Campo Grande e repercutindo fora das celas, como ônibus incendiados e atos de vandalismos generalizados. O alerta já foi emitido há tempos e nada foi feito até agora, de acordo com Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul, o Sinsap/MS.

O último atentado foi quando seis agentes penitenciários do sexo masculino foram intoxicados após beberem café, nesta manhã de quinta-feira (20), no Presídio de Segurança Máxima. Após o rápido atendimento, quatro deles tiveram alta e hoje (21), dois estão em observação na UTI no El Kadri, mas não correm risco de morte.

Nesta manhã, mesmo sendo Feriado do Dia do Tiradentes, o sindicato promoveu uma reunião na Máxima convocando servidores que estão fora de horário de serviço e de outras unidades, em solidariedade ao baixo número de plantonistas. “Cerca de 45 agentes deram apoio, para demonstrar nossa união”, destacou o presidente do sindicato, André Luiz Garcia Santiago.

A Polícia Civil já está investigando o crime e os dois detentos que trabalhavam para diminuir a pena, que tinham acesso ao café dos agentes já foram interrogados, também coletaram vestimentas de ambos a fim de verificar a existência de vestígios comprometedores e recolheram a substância na garrafa para perícia técnica.

A equipe do Top Mídia News recebeu denúncia que o problema vem se agravando desde o mês passado e tende a piorar. Agentes encontraram um documento que comprova uma espécie de assembleia entre os presos, um caderno contendo escritos dos internos fazendo o cadastro de todos os agentes e policiais militares que atuam no Presídio da Máxima.

Tudo indica que eles começariam agir com a intenção de aterrorizar. “A preocupação agora é com o período do Dia das Mães, sempre é um período tenso, com tentativas de fugas. São vários os sinais de rebelião”, contou o presidente do sindicato.

Dentre os atentados, já tentaram tomar a cadeia. “Há cerca de um mês um cantineiro, que tem acesso diferenciado porque trabalha, conseguiu arrebentar o cadeado e 20 presos tentaram tomar um portão de acesso, no dia de visita. Eles foram contidos porque dois agentes foram astutos e perceberam a ação antes que fizessem o pior”, contou um agente que não quis se identificar.

Outro agravante são as rebeliões e tentativas de fugas recorrentes. “O sindicato já alertou sobre essas ocorrências desde o ano passado, após a morte do nosso amigo, Carlos Augusto Queiroz de Mendonça, em fevereiro do ano passado. O governo se comprometeu a valorizar o servidor e alterar o plano de cargo, carreira e salários, mas ainda não cumpriu. Está esperando que mais um servidor morra? Assim como ocorreu esse fato inadmissível de seis servidores que, por milagre, não morreram”, desabafou Santiago.

Inclusive, a equipe médica contou que o veneno encontrado é bastante forte. Trata-se de uma substância herbicida, geralmente, detectada em chumbinho, veneno conhecido para matar rato. Tudo leva a crer, que não deu tempo hábil do produto diluir no café, visto que sobraram alguns grânulos ao fundo da garrafa.

“Em minha opinião, só há uma alternativa. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública tem que trabalhar em conjunto para salvaguardar a vida do agente penitenciário e manter a segurança da sociedade”, contou Santiago, lembrando que a greve da categoria, em busca de melhorias trabalhistas, já está decretada para o próximo dia 2 de maio.