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Polícia

Moradores prendem ladrão e comparsa chama gangue para soltá-lo

25 abril 2016 - 19h03Por Alessandra Carvalho

A analista de suporte Laís Gasparetto Triches, 23 anos, teve a casa assaltada quatro vezes em menos de três anos. Essa  é a situação no bairro Rivieira Parque, em Campo Grande. No último roubo, vizinhos tiveram que correr de uma gangue chamada para defender um ladrão na avenida Capitão Airton Rebouças.

"Aqui é um bairro novo e não tem segurança. A última vez que a minha casa foi assaltada, chamei a polícia e eles não vieram", relata Laís. Dois ladrões pularam o muro da casa de sua casa e não tiveram receio nem da cerca elétrica, mesmo com o alarme de segurança disparando.

"O vizinho escutou o barulho estranho e foi ver o que estava acontecendo. O portão também estava estragado. Um dos ladrões respondeu e tentou pular o muro com uma mochila nas costas, com vários objetos roubados. Ele foi preso pelos moradores da minha rua, ligamos para o 190 e disseram que a polícia estava a caminho. O outro ladrão conseguiu fugir pelo muro com cerca elétrica e provavelmente avisou a turma deles que o comparsa estava detido com os moradores. Então, apareceram sete homens armados e ordenaram para soltar o ladrão. Os vizinhos foram ameaçados", contou Laís.

 

Foto: André de Abreu

A cabeleireira Michelli Nadim, 30 anos, também afirma conhecer a história do assalto, reclama da insegurança, e admite que chega a andar com arma de fogo para inibir os assaltos.

"Fui assaltada na época da construção, quando levaram ferramentas, tênis e roupas. Gastei R$ 4 mil com segurança para a minha casa. Aqui não passa polícia. No dia em que assaltaram a casa da Laís, liguei no 190 e ninguém veio. Tive que pedir para um amigo policial vir aqui no bairro. Ando armada para me proteger. Pretendo ir embora de Campo Grande, vou voltar para Portugal. Sonhei tanto com a minha casa própria e fiz projetos na minha vida. Fiz a casa dos sonhos do meu jeito e não tenho paz. Segurança aqui não existe", desabafa Michelli.

Foto: Arquivo Familiar


Laís teve a casa assaltada duas vezes durante a fase de construção e mais duas vezes após a mudança. "Em novembro tive mais prejuízo, porque levaram notebook, celulares, vídeo game e eletrodomésticos. Arrombaram as janelas e quebraram os vidros", relata Laís. 

Foto: André de Abreu

Ela investiu R$ 2,5 mil com a instalação de cerca elétrica, discadora e alarme. "Isso não resolveu. Estava fora do meu orçamento gastar com segurança. Logo que mudei pra cá e tinha outras contas para pagar e gastamos com segurança. Trouxemos os nossos cachorros, pensamos que iria inibir os assaltos e nada adiantou. Isso desanima, estou pensando em vender a casa, mudar", diz.

 

O esposo de Laís, Alexandre Triques, 26 anos, relata que a falta de segurança não é o único problema. "Existe um projeto que já foi aprovado para asfaltar a nossa rua. Asfaltando a população aumenta. Hoje é somente poeira, quando chove ninguém passa. É um bairro que está esquecido, só não 'passa' o asfalto devido a falta do cronograma. Falam que é até setembro, e entra setembro e nunca asfalta", reclama o morador.