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Sem o que comemorar, categoria pede valorização profissional no Dia do Policial Civil

Nos últimos dois anos, nove policiais civis morreram em Mato Grosso do Sul durante o exercício da profissão

29 SET 2016
Kerolyn Araújo
19h02min
Foto: Geovanni Gomes

Desde o dia 29 de setembro de 2013 é comemorado o Dia do Policial Civil em Mato Grosso do Sul. A data, que era para ser festiva, tornou-se um dia de reflexão para a classe, que há anos trava uma luta com o governo para melhores condições de trabalho.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol-MS), Giancarlo Miranda, a situação atual do trabalho do policial no Estado é precária e não existe motivo para comemorar a data. "Lutamos pela valorização da classe. Trabalhamos em péssimas condições, com poucas algemas, armamento e com vários coletes balísticos vencidos. Temos delegacias com 12 viaturas, mas apenas três funcionam. Condição de trabalho é obrigação do governo", disse o sindicalista.

Com piso salarial de R$ 3.888,26, o valor pago aos policiais civis em Mato Grosso do Sul é o pior do Brasil. 

Custódia de presos

A custódia de presos é uma reivindicação antiga do sindicato. Há 45 dias, 11 presos fugiram da delegacia de Polícia Civil de Miranda, cidade distante a 202 quilômetros de Campo Grande. Segundo Giancarlo, até o momento nada foi feito a respeito do caso. "Os buracos não foram tapados, nenhuma reforma no prédio foi feita. A única coisa que mudou é que agora diminuiu o número de custodiados", explicou.

Foto: Geovanni Gomes

Em novembro do ano passado, em um espaço de tempo de menos de uma semana, dois policiais civis que faziam custódia de presos em delegacias do Estado foram agredidos no trabalho e um deles acabou morrendo.

No dia 21 de novembro, o investigador Arlei Marcelo Farias, 38 anos, foi agredido e golpeado na cabeça enquanto entregava comida para 21 presos na delegacia de Itaquiraí. Gravemente ferido, o servidor foi socorrido e encaminhado ao hospital de Dourados.

Quatro dias depois, o investigador Anderson Garcia da Costa, 37 anos, morreu a caminho do hospital após ser agredido por presos custodiados na delegacia de Pedro Gomes. 

Nos últimos dois anos, nove policiais civis morreram em Mato Grosso do Sul em decorrência do trabalho.

"Custodiar presos é obrigação de agentes penitenciários. Esse trabalho não é função do policial civil e acaba prejudicando a população. Em vez de estar na rua investigando crime, o policial tem que ficar na delegacia cuidando dos detentos. Fazemos muito com poucas condições. Não podemos esperar que outro policial morra para mudar essa realidade", ressaltou.

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