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Polícia

Nos 42 anos, fronteira é o principal gargalo e maior preocupação da segurança em MS

Mesmo ocupando o ranking de quarto lugar em questão de segurança, Estado sofre com a bandidagem fronteiriça

11 outubro 2019 - 15h20Por Rayani Santa Cruz

Em 42 anos da divisão do Mato Grosso do Sul, a fronteira com a Bolívia e Paraguai ainda é motivo de alerta ao setor de segurança pública. São mais de 1.500 quilômetros, de fronteira seca, utilizados por facções criminosas para o tráfico de drogas e armas, além de servir como rota de fuga a criminosos.

Em janeiro desse ano, Cesare Battisti, terrorista condenado a prisão perpétua na Itália, acabou preso na Bolívia, após fugir do Brasil. Ele utilizou a fronteira seca passando por Mato Grosso do Sul. Assim como ele, dezenas de criminosos fujões usam a rota para escapar da cadeia.

Esse é um exemplo dos problemas que rodeiam o Estado, já que a responsabilidade é do Governo Federal. Recordes de apreensão de drogas, produtos de contrabando e armas são corriqueiros para a Polícia Federal e Rodoviária.

Mortes em cidades da fronteira

Somente essa semana duas pessoas foram executadas a tiros em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, divisa com Ponta Porã-MS. 

A população da região está acostumada aos fuzilamentos, que chegaram a somar 83 mortes, de janeiro a julho desse ano, conforme o site Capitan Bado. As cidades brasileiras de Coronel Sapucaia, Caarapó e Ponta Porã também sofrem com a violência do Paraguai.

Para auxiliar na questão o ministro de Segurança e Justiça, Sergio Moro, determinou que a Força Nacional continue na região fronteiriça até dezembro.

Índices de MS

Os altos números de mortes em cidades da fronteira não afetam pesquisas sobre violência em MS. Mesmo por vezes tendo relação com facções criminosas atuantes no Brasil. 

O último levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apresentou queda nos crimes violentos letais intencionais (homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte) em 2018. O registro aponta maior elucidação de crimes.

Conforme as estatísticas foram registradas 483 mortes violentas, o que representa uma queda de 15,4% em relação a 2017. MS foi indicado como o 4ª estado mais seguro, atingindo a nota de 85,1, numa escala de zero a 100; 

Os números podem ser satisfatórios em teoria, e até comemoráveis em 42 anos de história. Porém, moradores das regiões ainda vão penar. A segurança pública na fronteira terá muitos desafios.