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Polícia

Operação Krimoj: facção banca casa de apoio e paga R$ 5 mil de aluguel por mês

Suspeita é que as pessoas abrigadas no local são 'filiados' e colaboram com o crime organizado

26 junho 2019 - 11h49Por Dany Nascimento

Documentos e aparelhos eletrônicos foram recolhidos durante a operação Krimoj, realizada na manhã desta quarta-feira (26), em casas de apoio que seriam custeadas por facções criminosas em Campo Grande. Durante entrevista na sede da Polícia Federal, o delegado Alan Givigi confirmou que seis casas foram alvo da operação, mas ninguém foi preso.

“Houve busca e apreensão de documentos, celulares, que devem colaborar com as investigações. A maior casa que encontramos foi na Vila Bandeirantes, tem piscina, seis quartos e caberia um total de 20 pessoas. O aluguem dessa casa é de R$ 5 mil por mês, durante as investigações, que começaram em fevereiro, percebemos grande movimentação de pessoas no local, mais de 10 pessoas passando. A suspeita é que além de parentes dos detentos do presídio federal, é que essas casas são utilizadas para manter os filiados das facções”, disse o delegado.

Na casa de luxo, os policiais encontraram seis mulheres, acompanhadas de algumas crianças. “Uma delas, chegou hoje do Ceará. Os presos são de outros estados e essas casas servem para abrigar parentes que vem de fora para visita, mas a suspeita é que abrigue pessoas que colaboram com o crime organizado. Que planejam crimes, homicídios, entre outros crimes”.

 De acordo como Superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Cleo Mazzotti, o abrigo dos familiares não é irregular. “O crime ocorre quando as pessoas acolhidas nessas casas dão apoio para facções, que repassa informação, transmite mensagem”.

Segundo o diretor em exercício da Penitenciária Federal de Campo Grande, Marcelo Silva, após a publicação da Portaria 157/19, em fevereiro deste ano, os presos já não possuem contato físico durante as visitas. “Eles só recebem visita por parlatório, são conversas monitoradas e vale lembrar, que os bilhetes encontrados solicitando a execução de servidores, ocorreu antes dessa portaria ser publicada”.

Conforme Marcelo, os presos confeccionam bilhetes pequenos para tentar se comunicar. “Eles estão separados por cela, mas ainda confeccionam pequenos bilhetes. Eles também tem contato duas horas por dia, as investigações agora se aprofundam diante dos aparelhos recolhidos”.

A Operação contou com 30 policiais federais e 15 agentes federais que cumpriram seis mandados de busca e apreensão expedidos 3ª Vara Federal de Campo Grande.

Operação

A Operação KRIMOJ foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (26), pela Polícia Federal e investiga uma rede de casas de apoio ligadas a facções criminosas em Campo Grande.

As investigações tiveram início em fevereiro deste ano, quando bilhetes com ameaças de morte a servidores públicos federais, escritos por membros do “Primeiro Comando da Capital” (PCC), foram encontrados na Penitenciária Federal da Capital. Os policiais descobriram que existe uma rede de casas de apoio a integrantes de facções criminosas instaladas na cidade, onde podem estar armazenadas informações sobre a atuação destas facções.

Além do PCC, durante as investigações, também foram identificadas casas de apoio a outros grupos criminosos, como Família do Norte” (FDN) e Comando Vermelho (CV). De acordo com a Polícia Federal,  as casas de apoio são mantidas pelas facções, as quais financiam os custos com aluguéis, verbas para manutenção dos imóveis, passagens aéreas para os ocupantes de outros Estados, entre outros valores de custeio dos locais. Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa e ameaça.

A ação é realizada em conjunto com o Departamento Penitenciário Federal (Depen/MJSP). O nome da operação (KRIMOJ) é a tradução da palavra Crimes em Esperanto, em alusão aos diversos crimes praticados pelas facções criminosas e também pelo fato de as casas de apoio serem mantidas para a troca de informações entre os membros das facções.