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Polícia

PESTICIDA: desvio de dinheiro do Fome Zero passa de R$ 13 milhões; oito servidores são afastados

A operação é realizada pela PF em parceria com a Controladoria Geral da União

09 outubro 2019 - 12h58Por Dany Nascimento

A Polícia Federal deflagrou a Operação Pesticida, na manhã desta quarta-feira (9), que aponta que mais de R$ 13 milhões foram desviados em um esquema de fraude criado por servidores e agricultores, para desviar recursos do programa Fome Zero, do Governo Federal. 

De acordo com o delegado Iuri de Oliveira, da Polícia Federal, seis testemunhas serão ouvidas, oito servidores serão afastados da Conab (Companhia de Abastecimento de Alimentos) e também um servidor de Corumbá.

“Um desses afastados não pode receber nenhuma outra função na Conab, os outros podem exercer outras funções, direção pode alocá-los, desde que fora do trabalho que faziam antes. Estamos realizando buscas nas cooperativas e associações e também na Conab. Além disso, estamos ouvindo algumas testemunhas, que tem conhecimento dos acontecimentos, todas elas no mesmo contexto. Também temos que cumprir determinações judiciais para afastar servidores da Conab, para que eventuais fraudes não permaneçam e nem interfiram nas investigações”.

No total, 70 policiais atuam na operação em Campo Grande, Caracol, Bodoquena e Corumbá. Conforme o delegado, o programa do Governo Federal destina recursos para que a Conab faça a gestão anual, identificando cooperativas e associações de agricultores, respeitando um perfil para serem inseridos no programa.

“Os agricultores são cadastrados e depois identificam as entidades para pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade e até fora. A operação demonstra um desvio de 45,02% de recursos, que não chegaram até os agricultores. Nas entidades, o desvio está estimado em 85,45%. Em alguns casos, o dono de uma cooperativa utilizava nome de agricultores para superfaturar. Os policiais foram a campo e detectaram que, em muitos casos, o agricultor nem sabia que estava inserido no programa. Em grande parte, as entidades não recebiam os alimentos que constam como recebidos. Os produtos entregues eram produzidos pelas mesmas pessoas, com assinaturas em documentos, indícios de fraude documental”, disse o delegado.

Segundo ele, servidores que eram responsáveis pelas visitas mentiam sobre a real situação do local cadastrado, com intuito de superfaturar o recurso. “Sobrou recurso com o esquema. Os responsáveis pelas cooperativas se apropriaram ou desviaram esse dinheiro. Essa sistemática ocorreu em alguns municípios como Terenos, Caracol, Jardim e Bodoquena. Em Corumbá tem suspeito também, mas lá a forma de execução do programa mudou. Agora sem a cooperativa e Conab, servidores indicados pela secretaria que fazem esse programa”.