Nesta manhã (08), a Polícia Civil, peritos criminais e médicos legistas estão no cemitério Memorial Parque a fim de fazer a retirada dos restos mortais de um dos três pacientes que morreram há cerca de um mês, após receberem sessões de quimioterapia na Santa Casa da Capital.
Os corpos serão retirados dos cemitérios e serão submetidos a exames médicos para identificar a causa das mortes e determinar se houve correlação com os medicamentos quimioterápicos utilizados pela Santa Casa. Serão coletadas amostras de unha, cabelo e dente dos mortos.
Procedimento - De acordo com o perito criminal Amílcar da Serra, a polícia aguardou a chegada da funerária e já iniciam os trabalhos para a retirada de um dos caixões. O corpo será encaminhado para o Instituto Médico Legal (Imol).

De acordo com A delegada Ana Cláudia Medina, da 1ª Delegacia de Polícia de Campo Grande, a polícia tem a necessidade de encontrar as verdadeiras causas das mortes. " Vamos tentar todas as alternativas, iremos fazer o que for possível. Hoje às 14h vamos haverá a exumação de outro corpo no cemitério Cruzeiro e na segunda-feira, de outro que está enterrado no município de Jardim", esclarece a delegada.

Segundo a Presidente da Comissão de óbito da Santa Casa, Priscila Alexandrino, buscar a verdade é um dever. "Estamos ajudando nas investigações. Como já passou praticamente um mês, dificilmente encontraremos alguns resquícios dos medicamentos, mas faremos o que for preciso", explica.

Depoimento
Ontem (7), a enfermeira chefe do setor de oncologia da Santa Casa de Campo Grande, Giovana de Carvalho Penteado, foi ouvida por aproximadamente quatro horas, pela Polícia Civil, 1ª Delegacia.
Giovana estava acompanhada do mesmo advogado de defesa dos médicos e funcionários do setor de oncologia e foi embora sem falar com a imprensa.
A delegada Ana Cláudia Medina, responsável pelas investigações, explicou que a enfermeira revelou que também fazia a manipulação de quimioterápicos, função que só deve ser exercida por um farmacêutico especializado. Ainda em depoimento, segundo a delegada, a enfermeira disse que não estava de plantão no dia em que ocorreu o problema com as pacientes.

Entenda o caso - Carmen Insfran Bernard, 48 anos, Norotilde Araújo Greco, 72 anos e Maria Glória Guimarães, 61 anos, morreram nos dias 10, 11 e 12 de julho, respectivamente. No final do mês passado, os familiares procuraram a polícia para investigar as mortes.
A suspeita girou em torno da qualidade dos medicamentos utilizados nos procedimentos quimioterápicos da Santa Casa. No dia 21, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) enviou representantes vindos de Brasília a Campo Grande.
Oitivas foram realizadas no Centro de Oncologia e Hematologia de Mato Grosso do Sul juntamente com representantes da Santa Casa. Foram administrados aos pacientes que morreram, o medicamento cinco fluoracil (5-FU), para combater o câncer e o lelcovorin (ácido folínico) com ação de potencializar o primeiro.







