O soldado do Batalhão de Choque da Polícia Militar, Henrique Fonseca Neutzling, que teve a perna amputada durante um grave acidente ocorrido na Afonso Pena, conversou com o TopMídiaNews sobre sua carreira, sonhos e agora a esperança de continuar na ativa enquanto se recupera.
A vontade de ser policial começou enquanto o trabalhador ainda era pequeno. Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, ele esperou a conclusão da faculdade para realizar sonho de atuar. Ao procurar por concursos públicos ele se deparou com a oportunidade de entrar na PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul).
“Assim que entrei na corporação, me apaixonei pela PM e pelo trabalho que realizamos", relata. Apaixonado também por motocicletas, não hesitou ao se inscrever no curso de moto patrulhamento tático. Com aprovação garantida, recebeu o título de Cavaleiro de Aço nº 33, reconhecimento dado àqueles que concluem a formação especializada.
Depois do curso, foi transferido para o Batalhão de Choque, onde encontrou mais do que colegas, já que a corporação se trata como ‘família’. “Lá, fiz mais que amigos, encontrei uma família. Tenho muito orgulho de fazer parte do Batalhão de Choque”, afirma.
Ao lembrar sobre o acidente, ocorrido no dia 22 de julho, durante um deslocamento de emergência para atender uma ocorrência em Campo Grande, Henrique destacou a coragem dos companheiros de farda, que o ajudaram naquele momento crucial.
“Recordo de tudo, os policiais da minha equipe são extremamente profissionais e me deram o primeiro atendimento, fizeram o torniquete e imobilizaram até a chegada do socorro. O cabo Tiago quem teve a frieza de me ver naquela situação e conseguir agir com rapidez e profissionalismo”, detalhou o soldado.
Internado no Hospital Unimed, Henrique recebeu, segundo ele, um atendimento impecável. Ele faz questão de agradecer às equipes da CTI 1 e da enfermaria do 4º andar, elogiando o cuidado profissional e a humanidade com que foi tratado.
Apoio dos companheiros e suporte da PMMS
Durante toda sua recuperação, o suporte da Polícia Militar, especialmente do Batalhão de Choque, teria sido fundamental para o policial.
“O suporte da PM e principalmente o Batalhão de Choque, foi essencial tanto na recuperação quanto no meu acidente, as medidas tomadas pelo batalhão ajudaram a salvar minha vida”.
Um dos momentos mais marcantes foi sua saída do hospital, cercado por colegas de farda. “Uma das maiores emoções da minha vida, ver meus irmãos me recebendo de novo”, disse.
No momento, Henrique está em fase de cicatrização e se prepara para iniciar o processo de adaptação à prótese. Ainda não há definição sobre seu futuro funcional dentro da corporação, mas ele afirma confiar plenamente nas decisões que serão tomadas.
Reconhecimento inesperado
Na última sexta-feira, Henrique foi surpreendido com uma homenagem especial: a Medalha do Mérito Policial, concedida pela Polícia Militar durante a cerimônia que celebrou os 190 anos da instituição em Mato Grosso do Sul. A solenidade, realizada no Comando-Geral da PMMS, contou com a presença de autoridades civis e militares, incluindo o governador Eduardo Riedel.
“Não estava esperando, e pra mim foi uma honra em ser reconhecido pela PM, pra mim é uma honra em pertencer ao Batalhão de Choque”, destacou.
Sem mágoas
Sobre a motorista envolvida no acidente, Henrique disse que ‘não há o que ser perdoado’. “Não há o que perdoar. Foi um acidente. Ela provavelmente não me viu. Estávamos em deslocamento de emergência, e é comum as motos passarem despercebidas. Foi uma fatalidade, sem culpados.”
Com os olhos voltados para o futuro, ele mantém a postura resiliente que o guia desde o início: “O que passou, passou. O que importa agora é o que posso fazer daqui em diante.”







