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Camara Maio

Presa em operação, diretora de ONG solicita habeas corpus e pode sair de presídio ainda hoje

Gilbraz Marques da Silva acumulava salários das duas entidades, alvo da Operação Urutau

14 DEZ 2016
Amanda Amaral
18h01min
Foto: Geovanni Gomes

Detida desde a tarde de ontem (13), em desdobramento de operação que investiga uma série de irregularidades em duas entidades de educação em Campo Grande, Kelly Ribeiro pode ser solta até o fim desta quarta-feira (14). Ela é uma das três mulheres que estão presas temporariamente no Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi e diretora de uma ONG (Organização Não Governamental) que atua há cerca de 30 anos na creche Nossa Senhora Aparecida do Perpétuo Socorro.

Conforme seu advogado, Fábio Pinto de Figueiredo, Kelly é pedagoga e trabalha há muitos anos na ONG, que há aproximadamente dois anos recebia serviço de alguns funcionários contratados pela Seleta Sociedade Caritativa, investigada na Operação Urutau, do Ministério Público Estadual. O inquérito aponta que esses funcionários teriam sido designados para cumprir as funções na creche de maneira irregular, contrariando as funções pelas quais eram designados.

A defesa nega e espera que, até esta noite, a Justiça tenha outra interpretação sobre o fato. O advogado relata, contudo, que agora o atendimento às crianças deve ser interrompido, pois não há mão de obra para substituir o serviço prestado pelos funcionários da Seleta.

“O que de fato aconteceu é que a Seleta ofereceu esses funcionários, para que fossem atendidas cerca de 200 crianças. Mas as pessoas que ela recebeu trabalhavam de fato, normalmente, tinha uma folha de frequência e isso a defesa já está demonstrando. Entramos com o habeas corpus e revogação do decreto da prisão temporária, confiamos que a decisão deve conceder liberdade”, disse Figueiredo.

Além de Kelly, estão presas temporariamente Maria Aparecida Salmaze, diretora da Organização Mundial para Educação Pré-escolar (Omep) e Ana Claudia Pereira da Silva, chefe do departamento pessoal da Seleta.

A operação

O MPE (Ministério Público Estadual) divulgou nota oficial sobre os mandados de prisão cumpridos nas sedes da Omep e Seleta, em Campo Grande. Além de batidas nas instituições, os agentes do MPE, em parceria com a Polícia Militar, cumpriram mandados no gabinete da vereadora Magali Picarelli (PSDB). Veja a nota:

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), em trabalho conjunto com a 29ª e a 49ª Promotorias de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, com o apoio da Polícia Militar, deflagrou a Operação Urutau para o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão de documentos, três prisões temporárias e sete conduções coercitivas na Capital.

Apura-se a prática de improbidade administrativa e crimes de falsidade ideológica, peculato, lavagem de capitais e associação criminosa em convênios mantidos pelo Município de Campo Grande com as entidades Organização Mundial para Educação Pré-Escolar do Estado de Mato Grosso do Sul (OMEP/BR/MS) e SELETA (Sociedade Caritativa e Humanitária – S.S.C.H) e seus dirigentes, prestadores de serviços e funcionários.

Os mandados foram expedidos pelo Juiz Mario José Esbalqueiro Junior, enquanto esteve designado para oficiar na 1ª Vara das Execuções Penais de Campo Grande, vinculada ao Provimento nº 162 do TJMS.

Participam da operação quatro Promotores de Justiça e 36 Policiais Militares.

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