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Presidente da Omep deixa presídio hoje, mas deve passar Natal proibida de falar com filho

Maria Aparecida Salmaze é investigada por suposto desvio de dinheiro de entidade e dividia cela com outras envolvidas na operação do MPE

16 DEZ 2016
Amanda Amaral
18h21min
Foto: Kamila Alcântara

Presa temporariamente desde terça-feira (13), apontada como suspeita de utilizar verba pública de convênio firmado com a Prefeitura Municipal de Campo Grande e a Omep (Organização Mundial para Educação Pré-escolar), a presidente da entidade, Maria Aparecida Salmaze, conseguiu habeas corpus e deve ser liberada até hoje (16) do Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi. Contudo, as condições para sua soltura incluem não ter contato com o filho, Hélio Corrêa Junior, também investigado, e não acessar suas contas bancárias.

Conforme seu advogado, Laudson Cruz Ortiz, a medida restritiva será questionada pela defesa. “Vejo que, já que os dois já foram ouvidos pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), não há problema se conviverem normalmente, como família”, pontua o defensor. Salmaze também foi afastada das funções na Omep e a vice-presidente deverá assumir o cargo.

Apesar de ter ensino superior e direito a cela especial, Maria Aparecida dividiu cela comum com outras duas envolvidas na Operação Urutau, Kelly Pereira, diretora de ONG que utilizava serviços de funcionários da Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária, e Ana Claudia Pereira da Silva, chefe do departamento pessoal da Seleta. No mesmo espaço ficou detida, anteriormente, a ex-primeira-dama Andréia Olarte, esposa de Gilmar Olarte.

A ordem de habeas corpus também foi concedida a Kelly, segundo seu advogado Fábio Pinto de Figueiredo, que já deixou o presídio ainda no final desta tarde. A reportagem tentou entrar em contato com o advogado de Ana Claudia, José Roberto Pereira, mas não obteve sucesso.

Defesa aponta equívoco

O argumento principal utilizado por Ortiz para defender os gastos apontados como ‘incompatíveis’ com a renda de Maria Aparecida são de que, na realidade, houve cruzamento equivocado de dados financeiros pelos investigadores. “O que mais pegou foi a alegação de que as despesas em viagens e na construção de uma chácara são custeadas por dinheiro encaminhado à Omep. Mas isso não é verdade, prestamos conta de tudo, as notas fiscais são encaminhadas à prefeitura, esse dinheiro pagava os funcionários e as despesas”, diz.

Como não recebe salário para ocupar o cargo de presidente, a investigada teria como renda fixa apenas o valor de sua aposentadoria, mais o auxílio de seus três filhos. “Descobriram a chácara, que ela construiu esse ano, e confundiram os gastos com uma outra obra que estava sendo para levantar uma creche, em terreno da Omep. A investigação cruzou errado essas informações de compra de materiais e, em relação as viagens, ela fez com dinheiro próprio também”, aponta o advogado.

Ortiz diz aguardar pela conclusão das oitivas e, se sua cliente for denunciada criminalmente, deve reunir documentação que comprove sua inocência.

Operação

O Gaeco, em trabalho conjunto com a 29ª e a 49ª Promotorias de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, com o apoio da Polícia Militar, deflagrou a Operação Urutau no dia 13 de dezembro, para o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão de documentos, três prisões temporárias e sete conduções coercitivas na Capital.

Apura-se a prática de improbidade administrativa e crimes de falsidade ideológica, peculato, lavagem de capitais e associação criminosa em convênios mantidos pelo Município de Campo Grande com as entidades Omep-MS e Seleta e seus dirigentes, prestadores de serviços e funcionários.

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