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Polícia

Presidente da Seleta acumulava dois salários e função 'fantasma', aponta investigação

Gilbraz Marques da Silva chegou a ser preso na Operação Urutau, mas pagou fiança e foi liberado

14 dezembro 2016 - 19h00Por Amanda Amaral

Entre as irregularidades apontadas pela Operação Urutau, deflagrada ontem (13) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado), foi identificado que o presidente da Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária, Gilbraz Marques da Silva, recebia salários de dois cargos. A investigação aponta que ele tinha, paralelamente, um cargo de funcionário da Omep (Organização Mundial para Educação Pré-escolar).

Os salários pagos pela Omep a Gilbraz ocorreram entre os meses de janeiro a abril de 2014, desde quando assumiu a presidência da Seleta, havendo incompatibilidade de horários entre as funções. O valor recebido durante o período, mais a rescisão de seu contrato sem justa causa, somam R$ 17.020,33.

Na manhã de ontem, ele e mais 13 pessoas tiveram de prestar esclarecimentos sobre uma série de irregularidades apontadas na Operação, que resultou em três prisões temporárias e apreensão de diversos documentos e aparelhos celulares dos envolvidos. Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão em sua residência e na sede da Seleta, foram encontrados munições e um revólver sem registro para uso. Gilbraz foi encaminhado à delegacia, mas liberado após pagar fiança de R$ 2.500,00.

Seu advogado, José Amilton de Souza, diz que ainda não teve acesso integral às peças do inquérito e, por isso, prefere não se manifestar. "Ainda não nos foi repassado, a mim e ao outro advogado de Gilbraz, toda a documentação. Mas pelo que o meu cliente havia me dito, esse cargo foi ocupado  lá atrás, bem antes dele assumir a presidência. Devemos ter em mãos no máximo até amanhã uma cópia de todo o inquérito e, assim, analisar o que foi apontado", declarou. 

A presidente da Omep, Maria Aparecida Salmaze, deu entrada no presídio feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande, após prestar depoimento no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), e permanece na unidade. Mais duas mulheres também foram detidas no presídio feminino, Ana Cláudia Pereira da Silva, chefe do departamento pessoal da Seleta e Kelly Ribeiro Pereira.

O MPE (Ministério Público Estadual) divulgou nota oficial sobre os mandados de prisão cumpridos na manhã de hoje (13) nas sedes da Omep e Seleta, em Campo Grande. Segundo o órgão, as ações fazem parte da Operação Urutau e três pessoas serão presas. Além de batidas nas instituições, os agentes do MPE, em parceria com a Polícia Militar, cumpriram mandados no gabinete da vereadora Magali Picarelli (PSDB). Veja a nota:

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), em trabalho conjunto com a 29ª e a 49ª Promotorias de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, com o apoio da Polícia Militar, deflagrou, na manhã desta terça-feira (13/12), a Operação Urutau, para o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão de documentos, três prisões temporárias e sete conduções coercitivas na Capital.

Apura-se a prática de improbidade administrativa e crimes de falsidade ideológica, peculato, lavagem de capitais e associação criminosa em convênios mantidos pelo Município de Campo Grande com as entidades Organização Mundial para Educação Pré-Escolar do Estado de Mato Grosso do Sul (OMEP/BR/MS) e SELETA (Sociedade Caritativa e Humanitária – S.S.C.H) e seus dirigentes, prestadores de serviços e funcionários.

Os mandados foram expedidos pelo Juiz Mario José Esbalqueiro Junior, enquanto esteve designado para oficiar na 1ª Vara das Execuções Penais de Campo Grande, vinculada ao Provimento nº 162 do TJMS.

Participam da operação quatro Promotores de Justiça e 36 Policiais Militares.