O produtor musical que atua no cenário sertanejo de Mato Grosso do Sul e Goiás, Ivan Miyazato e outras 349 pessoas estão no bojo da investigação que já é considerada a maior operação da história em território nacional. Todos são suspeitos de integrar um esquema bilionário de fraudes envolvendo lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e tributária no setor de combustíveis, controlado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), em MS e outros 7 estados.
Em suas redes sociais, o empresário aparece frequentemente ao lado de diversos cantores sertanejos, mostrando shows e ensaios realizados para os espetáculos. Em vários vídeos, ele canta e toca instrumentos, divulgando seu trabalho e habilidades musicais.
Em MS, Ivan atuou com grandes nomes do sertanejo como Michel Teló, Luan Santana, Maria Cecília e Rodolfo, Munhoz e Mariano, João Bosco & Vinicius e Grupo Tradição.
Em sua biografia profissional, o suspeito afirma ter conquistado o Grammy de Melhor Álbum de Música Sertaneja em 2020. Em uma publicação recente, ele escreveu: “Enquanto uns seguem fórmulas prontas, a gente constrói algo real. Aqui, quem vive a música de verdade tem espaço, voz e propósito.”
Esquema de combustíveis ligado ao PCC movimentou R$ 52 bilhões
O esquema bilionário de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis, com atuação em Mato Grosso do Sul e mais sete estados, movimentou cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
A investigação aponta que mais de mil postos de combustíveis espalhados pelo país eram usados para escoar recursos do crime. O esquema funcionava com recebimento de dinheiro em espécie ou por maquininhas de cartão, que era depois transferido para contas ligadas ao grupo criminoso. Além de Mato Grosso do Sul, a atuação foi confirmada em São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Segundo a Receita, o dinheiro era “lavado” também por meio de fintechs e fundos de investimento multimercado e imobiliários. Uma dessas fintechs, que atuava como verdadeiro “banco paralelo” da organização criminosa, movimentou sozinha R$ 46 bilhões em quatro anos. Mais de 10,9 mil depósitos em espécie, somando R$ 61 milhões, foram realizados entre 2022 e 2023, em operações consideradas atípicas.
Com os recursos, a quadrilha reinvestia em negócios e propriedades para dar aparência de legalidade ao patrimônio. Estão entre os bens identificados: quatro usinas produtoras de álcool, um terminal portuário, 1.600 caminhões, mais de 100 imóveis — incluindo fazendas avaliadas em R$ 31 milhões e uma residência em Trancoso (BA) adquirida por R$ 13 milhões.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ingressou com ações de bloqueio de R$ 1 bilhão em bens de envolvidos, incluindo imóveis e veículos. A força-tarefa destaca que esta é a maior operação contra o crime organizado já realizada no Brasil, com o objetivo de desarticular toda a cadeia de fraudes no setor de combustíveis controlada pelo PCC.







