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quarta, 30 de setembro de 2020
Polícia

"Quero que ele deixe minha filha em paz", diz pai de criança estuprada

O suspeito chegou a prometer casamento e filhos para a criança. Abusos sexuais começaram quando a menina tinha 10 anos

18 março 2019 - 14h40Por Da redação/Correio Braziliense

"Esse homem destruiu minha filha e me deixou noites sem dormir. Não tenho ódio dele. Eu só quero que ele deixe a minha menina em paz e pague pelo o que fez", esse é o lamento de um pai de 69 anos que descobriu que a filha foi estuprada por dois anos. O suspeito de cometer o crime é um homem de 52, preso preventivamente na tarde da última sexta-feira (15), no Setor P Sul, em Ceilândia. Atualmente, a vítima tem 12 anos e será acompanhada por um psicólogo indicado pelo Conselho Tutelar da região administrativa, segundo a família.

O pai soube dos abusos sexuais ao ler conversas trocadas entre a filha e o suspeito, pelo aplicativo WhatsApp. Ao ler o teor das mensagens, procurou a 23ª Delegacia de Polícia (P Sul), em outubro de 2018. "Eu também passei a perceber que o comportamento dela havia mudado. Ela se tornou agressiva comigo e com a mãe. Quando descobrimos, ela não me respondeu os meus questionamentos. Minha filha é uma criança que, como qualquer outra, tem pensamentos maleáveis. Ele (o suspeito) se aproveitou e fez a cabeça dela", realça o aposentado.

Após fazer o boletim de ocorrência contra o acusado, o pai não deixou a criança usar o celular novamente. O objetivo era impedir o contato dela com o homem. No entanto, o suspeito continuou a procurá-la. "Ele continuava indo nas redondezas da escola dela e não a deixava em paz. Entrei em desespero. O homem chegou a ligar na minha casa, ameaçando a minha esposa. Ele disse que iria atrás de nós após sair da prisão, que não se importava comigo, com a minha mulher ou com a minha filha", lembra o pai, em lágrimas.

Em 8 de março, a menina sumiu após sair da escola. No mesmo dia, policiais civis cumpriam um mandado de busca e apreensão na casa do suspeito, em Ceilândia. Os agentes confiscaram diversos celulares e um computador, que foram encaminhados para a perícia. Contudo, em uma análise prévia, agentes leram as mensagens do WhatsApp em um dos aparelhos. A conversa indicava o crime, sobretudo por conta da troca de imagens e vídeos de cunho sexual.

Após a ação na residência, o pai relatou para a polícia que a criança tinha sido levada pelo suspeito após a aula. Agentes tentaram realizar a prisão em flagrante dele. No entanto, o homem não foi encontrado. Ele pagou um táxi para deixar a menina na casa de uma ex-cunhada da família, também na região administrativa. Mas, com o material encontrado no celular apreendido, a Justiça concedeu o mandado de prisão preventiva contra ele.

A família da vítima ficou aliviada ao saber que o acusado foi detido. "Eu estava disposto a fazer o que fosse preciso para que esse monstro acabasse atrás das grades. Minha filha parece não entender ainda o que tudo isso significa. Mas saber que ele está preso e não pode chegar perto dela é importante", salienta o pai. "Ele é um mentiroso e manipulador, que já tem passagem pela polícia. Para se ter ideia, ela primeiro disse para a minha filha que tinha 19 e, depois 32 anos.

Só na delegacia descobrimos que ele tinha 52", acrescenta. O homem foi preso em 2012 pelo crime de estelionato. Como ele era réu primário, ganhou o benefício da prisão domiciliar em 2013.  

"Vamos nos casar"

O homem prometia casamento e filhos para a criança, de acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). As mensagens foram encontradas em um dos celulares do suspeito, após a busca e apreensão na casa dele, em Ceilândia, em 8 de março. O acusado também trocava material pornográfico com a menina, enquanto ela era enganada.

"Ele agiu de forma completamente natural quando falamos o porquê de o prendermos. Parecia que na cabeça dele era normal um homem naquela idade se envolver com uma criança", delimita o delegado Maurício Iacozzilli. Na delegacia, o homem não respondeu aos questionamentos dos investigadores. 

Também no último dia 8, agentes especializados escutaram a criança em uma sala própria para a coleta de depoimento de adolescentes. Depois, ela foi levada para o Instituto de Medicina Legal (IML), onde passou por um exame.

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