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Polícia

Ré por golpe de R$ 5,3 milhões, advogada é condenada a três anos de prisão

O marido dela é juiz e está afastado do cargo, acusado de venda de sentenças e corrupção

29 julho 2020 - 13h00Por Rayani Santa Cruz

A advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, que ficou conhecida por ter dado um golpe de R$ 5,3 milhões em um aposentado do Rio de Janeiro, foi condenada a três anos e seis meses de reclusão e 35 dias-multa por estelionato. O processo seguiu em sigilo até a sentença.

A decisão foi publicada no Diário Oficial de Justiça desta quarta-feira (29) pela juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande. A advogada é esposa do juiz afastado por suspeita de corrupção e venda de sentenças, José Geraldo Tadeu de Oliveira.

Emmanuelle foi absolvida das acusações de organização criminosa, falsificação de documento público e falsidade ideológica.

Na mesma sentença e por ter participado do esquema, o esposo José Geraldo Tadeu de Oliveira foi condenado a sete anos e 10 meses de reclusão e 77 dias-multa e o réu Ronei de Oliveira Pécora  foi condenado a pena de três anos, três meses e 20 dias de reclusão.

O Golpe

Emmanuelle Alves Ferreira da Silva foi presa em Campo Grande no dia 30 de julho de 2018. Ela permaneceu reclusa por 29 dias até conseguir a prisão domiciliar.

A advogada foi acusada de envolvimento na trama fraudulenta que envolvera a venda de uma fazenda em Mato Grosso com documento falsificado e o resgate de R$ 5,3 milhões da conta de um aposentado morador de Petrópoles-RJ.

Na época, foram presos também José Geraldo Tadeu de Oliveira, Ronei de Oliveira Pécora e Delcinei de Souza Custódio.

De acordo o processo, Emmanuelle teria usado documento falso e, com esses papeis, induzido à Justiça a conceder decisão favorável a ela para fazer o saque milionário da conta do correntista de Petrópolis. A época o marido atuava como juiz na 5ª Vara de Sucessões de Campo Grande. A defesa afirmou que a advogada estava agindo na defesa de um suposto fazendeiro da cidade de Tangará da Serra (MT), que teria vendido o imóvel rural, mas não recebido nada de dinheiro.

O suposto fazendeiro, José Geraldo Tadeu de Oliveira, que antes usava o nome de João Nascimento dos Santos, entrou na Justiça contra o suposto caloteiro, um correntista do banco Santander, morador do Rio de Janeiro. O caso seguia na Justiça havia dois anos.

A advogada, que para a Polícia Civil de MS, seria o cérebro do golpe, conseguiu o saque graças a um despacho do juiz Paulo Afonso de Oliveira, da 2ª Vara Cível de Campo Grande.

Ela entregou ao juiz, por meio do processo, notas promissórias com a assinatura do suposto caloteiro com carimbos de um cartório. O magistrado acreditou na legitimidade dos papeis e determinou o saque milionário, cujo valor estava bloqueado até então.

Um dia depois da prisão da advogada, o juiz Paulo Afonso contou à imprensa de Campo Grande que tinha sido enganado pela advogada, mulher de seu colega de trabalho.

No entanto, o correntista do Rio denunciou o juiz ao Conselho Nacional de Justiça, que abriu procedimento investigatório contra o juiz.