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Polícia

Recém-nascido morre após problemas em ambulância em MS

Falta de UTI Neonatal obrigou a remoção da criança, mas viatura estava com vários defeitos

16 outubro 2018 - 09h11Por Perfil News

Uma odisseia que acabou com a morte de uma criança e uma decisão judicial. Esse é o resumo da história de F.E.M.S, 23 anos, grávida de gêmeos.

Quando completava 30 semanas de gestação, a jovem esteve no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora no último sábado, dia 13 de outubro, com seis centímetros de dilatação.

De acordo com o Hospital, devido à complexidade do caso e ao fato dos bebês serem prematuros, o ideal seria que o parto fosse realizado em um hospital com estrutura de UTI Neonatal - que o HNSA não possui. O único hospital da região que oferece esse serviço é o Cassems – que não atende SUS.

Entretanto, dada a urgência da situação, o parto foi realizado no HNSA, mesmo. Mas, com a precariedade da saúde das bebês, foi solicitada uma ambulância UTI do município para fazer a remoção para Campo Grande, a 320 km de Três Lagoas.

DEFEITO NOS EQUIPAMENTOS

E aí começou a tragédia. Chegando em Água Clara, de acordo com o relato do médico que acompanhava a recém-nascida no transporte, o ventilador de transferência apresentou problema e a incubadora parou de aquecer. O ar-condicionado do veículo, que poderia ajudar a equilibrar a temperatura, também apresentou defeito, não conseguindo resfriar ou aquecer o ar no interior do veículo. A bebê chegou com vida ao hospital na Capital, mas após 3h não resistiu e veio a óbito na Santa Casa de Campo Grande.

A ambulância, então, retornou a Três Lagoas. No período da tarde, no entanto, a segunda bebê também precisou da UTI neonatal e, mais uma vez, foi solicitada a transferência. Desta vez, no entanto, o médico que acompanhou a primeira criança no transporte desautorizou a transferência, relatando problemas técnicos na ambulância e na incubadora.

MANDADO DE SEGURANÇA

Diante da situação, a família da paciente procurou os direitos na Justiça, por meio de duas advogadas que entraram com um Mandado de Segurança exigindo que o Município transferisse imediatamente a criança ao Cassems, sob pena de multa de R$ 5 mil por hora de descumprimento da sentença.

Entretanto, antes que a sentença fosse publicada, o HNSA autorizou a transferência para Campo Grande. Segundo o hospital, a atitude foi necessária diante da situação da criança. Segundo o Hospital, ainda, a equipe de enfermagem fez o check-list de vistoria nos equipamentos e seu funcionamento e garantiu que o transporte da criança estaria seguro. Dessa forma, quando a liminar foi expedida, a criança já estava a caminho de Campo Grande, sendo impossível o contato.

Felizmente, a criança chegou a tempo de receber o tratamento adequado na capital.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Três Lagoas disse que a Secretaria de Saúde não foi acionada para atender o caso, e que a ambulância está equipada para atendimento de emergência. Informou também que o aparelho que apresentou defeito pertence ao hospital Auxiliadora.

A FALTA DE UTI NEONATAL

Sobre a instalação de UTI Neonatal, o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora afirmou que tem projetos para atender aos recém-nascidos de alto risco, mas faltam recursos para investimento. "Atualmente, o projeto arquitetônico da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal/UTIN e seus componentes (Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional/UCINCo, Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Canguru/UCINCa e Banco de Leite Humano/BLH) deve ser executado ao lado da maternidade, que hoje está a Unidade Cirúrgica do Hospital Auxiliadora. Portanto, além do próprio recurso da UTIN e seus componentes, seria necessário o recurso para um outro local de Unidade Cirúrgica, de maneira a comportar a quantidade de pacientes regulados para esta unidade cirúrgica, que hoje não dispomos", afirmou, em nota.

Dada a urgência da situação, a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Vilma Portela, afirmou que chamará os conselheiros para uma reunião extraordinária para exigir que o convênio entre o Município e a Cassems seja firmado o mais breve possível para uso da UTI Neonatal.