Somente com a promessa de implantação de uma delegacia 24h, o ano de 2014 terminou registrando um novo recorde no número de casos de violência doméstica. A polícia Civil registrou 5.034, em Mato Grosso do Sul. O saldo é maior do que no ano anterior, em que os boletins de ocorrência ficaram em 4.472. Além dos tradicionais agressores, o ano surpreendeu com denuncias de cárcere privado e até de 'encoxadores' de ônibus coletivos.
Parece que o primeiro mês de 2014, já previa curso violento para o gênero. Dois casos emblemáticos foram destaque na mídia, neste período: a agressão que deixou a estudante Giovanna Nantes Tresse de Oliveira, 18 anos, desfigurada, e o assassinato de Dayane Silvestre Uliana, 26, no dia 4 de janeiro.
Giovanna foi agredida pelo então namorado, o estudante Matheus George Tannous, 19, na virada de ano, em Campo Grande. O casal namorava há um ano e moravam juntos há seis meses em um apartamento na Rua São Paulo, Vila Gomes. A agressão, que teria ocorrida por ciúmes, deixou a jovem com quatro fraturas no rosto, duas no maxilar e duas abaixo do olho direito. Após investigação policial, as autoridades concluíram que o rapaz deu “pisões e cadeiradas” no rosto da universitária.
Já Dayane foi morta com três tiros na cabeça, disparados pelo ex-marido, Júlio César Martins Ferreira, 26 anos. A vítima dirigia um Chevrolet Corsa, na avenida Manoel da Costa Lima, quando foi surpreendida pelo autor. Dayane chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Ela deixou um filho de um ano e dois meses.
O aumento nos números de casos não se deve apenas a um maior número de agressões, mas também ao fato as vítimas terem mais motivação para procurar a polícia. Por este motivo, nem mesmo os autores de assédio sexual, comuns nos ônibus coletivos, foram poupados. Os apelidados 'encoxadores' estamparam as páginas do jornais, especialmente no primeiro semestre do ano. Tarados foram encontrados nas linhas do 085, 061 e 087. Os autores foram divulgados pela polícia e enquadrados no crime de estupro.
Se o ano começou violento, também não terminou muito diferente. Em dezembro, foram registrados o maior número de casos de 2014, com 523 boletins de ocorrência. Foi no final deste mês que a polícia Civil prendeu Rafael Ribeiro Amorim, 24 anos, por manter a sua companheira, de 25 anos, em cárcere privado por mais de um ano.

Rafael Ribeiro Amorim obriga a mulher a fazer sexo oral, depois de ficar três dias sem banho. (Foto: Arquivo/Deivid Correia)
Como agravante do crime, a policia considerou a "subjugação do gênero feminino". De acordo com o delegado responsável pelo caso, Tiago Macedo, da 4º Delegacia de Polícia Civil, em um dos relatos, a vítima disse que Rafael ficou até três ou quatro dias sem tomar banho e a obrigou fazer sexo oral. Além disto, o autor tentou asfixiar a filha de dois meses e ainda agrediu um policial civil no momento da prisão.
Delegacia 24 horas
A Prefeitura de Campo Grande adiou para fevereiro deste ano a entrega do prédio que irá abrigar a Casa da Mulher Brasileira. A casa atenderá todo o estado e abrigará em um mesmo local a Delegacia da Mulher, Defensoria Pública, Ministério Público, vara especializada em gênero, posto médico e salas para o atendimento psicossocial e de qualificação profissional. A previsão é que o funcionamento seja 24 horas.
A entrega estava prevista para novembro de 2014, mas foi adiada, mesmo com 90% das obras concluídas. Primeiro do país, o órgão funcionará em parceria e vínculo com as prefeituras, e participação do governo estadual, previsto no programa ‘Mulher, Viver sem Violência’, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR).







