domingo, 08 de fevereiro de 2026

Busca

domingo, 08 de fevereiro de 2026

Link WhatsApp

Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Top Mídia News
Bonito

há 4 meses

Secretário de Finanças de Bonito é preso por envolvimento em esquema de corrupção

Operação Águas Turvas revelou grupo formado por servidores e empresários que direcionava contratos públicos desde 2021

O secretário municipal de Administração e Finanças de Bonito, Edilberto Cruz Gonçalves, de 46 anos, foi preso preventivamente nesta terça-feira (7) durante a Operação Águas Turvas, deflagrada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Segundo as investigações, Edilberto é apontado como o chefe de um esquema de corrupção e fraudes em licitações que atuava no município desde 2021.

Outros dois servidores municipais também foram presos durante a operação, que apura crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.

A ação foi coordenada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com apoio da 1ª Promotoria de Justiça de Bonito e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). No total, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de Bonito, Campo Grande, Terenos e Curitiba (PR).

Esquema milionário

De acordo com o Ministério Público, o grupo investigado montou uma organização criminosa estruturada dentro da administração municipal, com a função de fraudar licitações e direcionar contratos públicos de obras e serviços de engenharia para empresas ligadas aos próprios investigados.

As investigações mostram que as licitações eram manipuladas por meio de simulações de concorrência e exigências específicas nos editais, que garantiam que apenas empresas de interesse do grupo fossem habilitadas. Os servidores envolvidos forneciam informações privilegiadas e controlavam os processos licitatórios, recebendo vantagens financeiras indevidas em troca. O valor total dos contratos sob suspeita ultrapassa R$ 4,3 milhões, segundo o MPMS.

Além do secretário Edilberto Cruz Gonçalves, também foram presos: Luciane Cíntia Pazette, agente de contratações da Prefeitura de Bonito, que, segundo o MP, tinha papel fundamental na execução das licitações fraudadas. Ela é esposa do vereador Pedrinho Marambaia;

Também foi preso outro servidor municipal, ainda não identificado oficialmente pelo órgão, mas que teria atuado diretamente na elaboração dos editais direcionados. O corretor de imóveis, Luiz Fernando Xavier Duarte, de 35 anos, também foi preso em flagrante durante o cumprimento dos mandados, após a polícia encontrar uma pistola calibre .380 com registro vencido em sua residência, no bairro Tarumã. Ele foi liberado no mesmo dia, mediante pagamento de fiança de R$ 2 mil, mas segue investigado por ligação com o grupo.

As investigações apontam que o esquema contava com uma divisão de tarefas entre servidores e empresários. Enquanto os funcionários públicos garantiam o acesso aos processos internos, empresários e intermediários atuavam para simular concorrência e apresentar propostas “de fachada”.

Em troca, os servidores recebiam parte dos valores pagos nos contratos, ocultando o dinheiro com o uso de laranjas e empresas de fachada. Os crimes teriam ocorrido em obras e serviços de engenharia ligados a diferentes secretarias municipais.

O nome da operação faz alusão à perda de transparência nos negócios públicos de Bonito — cidade conhecida nacionalmente por suas águas cristalinas e turismo ecológico. Segundo o Ministério Público, o objetivo foi simbolizar o contraste entre a imagem limpa do município e as “águas turvas” da corrupção identificadas nas investigações.

Nota da Prefeitura de Bonito

Em nota oficial divulgada após as prisões, a Prefeitura de Bonito afirmou que colaborou integralmente com o cumprimento dos mandados e garantiu transparência no processo:

"A Prefeitura de Bonito vem a público esclarecer que, em relação à Operação Águas Turvas, realizada nesta terça-feira (7), foram adotadas todas as medidas necessárias para garantir pleno acesso aos objetos do mandado de busca, em total colaboração com as autoridades competentes.

Reforçamos que a administração municipal sempre pautou suas ações pela legalidade, ética e transparência junto à população. A Prefeitura permanece à disposição das autoridades responsáveis para fornecer todas as informações e documentos necessários ao devido andamento das investigações".

Os presos foram encaminhados a unidades da Polícia Civil em Campo Grande e Bonito, onde permanecem à disposição da Justiça. O processo segue sob sigilo judicial, e o Ministério Público ainda não revelou o número exato de contratos analisados, nem o montante de valores supostamente desviados.

A investigação continua e pode resultar em novas prisões e bloqueios de bens dos envolvidos.

Siga o TopMídiaNews no , e e fique por dentro do que acontece em Mato Grosso do Sul.
Loading

Carregando Comentários...

Veja também

Ver Mais notícias