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segunda, 14 de junho de 2021
Polícia

Sem corpo para enterrar, mãe de Eliza lamenta 11 anos depois: ‘a humilhação eu vivo até hoje'

Condenado pelo assassinato, o goleiro Bruno hoje cumpre pena no semiaberto e vive uma vida tranquila com a família. Ele nunca falou sobre a localização do corpo de Eliza

11 junho 2021 - 09h45Por Rayani Santa Cruz

Sônia Silva Moraes, mãe de Eliza Samudio, vive há 11 anos a dor de perder a filha e não ter corpo para enterrar. Todo dia 10 de junho vem mais forte a lembrança do crime. Foi nessa data, em 2010, que a sua filha foi assassinada.

O goleiro Bruno, ex-jogador do Flamengo, foi condenado a mais de 22 anos de prisão e hoje cumpre pena em regime semiaberto.

Morando em Campo Grande, Sônia é responsável pela criação de Bruninho, filho do goleiro com a ex-modelo. Ela contou ao site Uol sobre o pesadelo diário.

"Não me deram voz. Não me deram o amplo direito de me defender quando me acusaram. A humilhação eu vivo até hoje. As pessoas pensam que estão no direito de julgar as outras e não conseguem olhar para o próprio umbigo."

 Mesmo hoje, mais de uma década após o caso, Sônia conta que ainda é alvo de ofensas nas redes sociais. 

"Não é porque passou 11 anos que não vai ter pessoas que apontam o dedo para mim ou para minha filha acusando. As pessoas não têm empatia. É muito doído ouvir coisas a respeito da Eliza, isso machuca. Ela não está aqui para se defender, e mesmo que eu tente [defendê-la], não é a mesma coisa. As pessoas são cruéis, elas não têm a preocupação de como vai ficar, se os comentários vão atingir o psicológico da pessoa que tá vivendo aquela dor", desabafou. 

Motivos do assassinato de Eliza

Sônia afirmou que o assassinato não aconteceu "só por causa de pensão". Ontem, em uma entrevista publicada pelo canal "NaReal", no YouTube, ela sugeriu que Eliza foi alvo de "queima de arquivo". "Eu acredito que foi, sim [queima de arquivo]. Não foi só por causa de pensão", contou. 

"O Bruno sabia que a Eliza era obstinada, uma mulher forte apesar da pouca idade, e não se entregava fácil. Ele [Bruno] sabia que se ele não a calasse, a voz dela, ela ia falar. Ele não tinha a intenção de assumir o filho."

A advogada de Bruno não quis se pronunciar sobre o caso. 

Sem justiça

Além disso, Sônia Silva Moraes disse ainda que a Justiça "pecou" com Eliza Samudio.

Meses antes da morte, a ex-modelo chegou a gravar um vídeo sobre os atritos que vinha enfrentando com o goleiro Bruno. "A Justiça trabalhou de uma forma que contribuiu muito para a morte da Eliza. Lá atrás, não vou citar o nome da juíza, quando a Eliza fez um boletim de ocorrência, pedindo proteção pela Lei Maria da Penha, essa proteção foi negada. A Justiça pecou demais com a Eliza. Ela esteve na mídia, pediu socorro em vida", declarou. 

"[A morte] deixa um buraco aberto, uma coisa que não consegue se fechar. Nós, seres humanos, temos o ritual do luto. Eu não tive luto, porque quando soube da minha filha eu tive que ir para luta. Tive que brigar com um cara que era idolatrado por milhões de pessoas, pela maior torcida do Brasil. O meu luto eu passei a viver depois do julgamento, quando as coisas começaram a ficar mais calmas, menos turbulentas. Eu passei a ter isso em mim, esse inconformismo por não ter o corpo da minha filha, que até hoje não tem. Isso é um inconformismo na minha vida", completou. 

O neto, Bruninho, de 11 anos herdou traços da personalidade da mãe e é uma espécie de "apoiador" para ela. 

A avó explicou que frequentemente conversa com Bruninho sobre o que aconteceu com Eliza. O garoto conta com apoio de psicólogos para lidar com a situação. 

"O crime do Bruno não foi só contra a Eliza, foi contra minha família. E isso as pessoas não conseguem enxergar. Quando um crime é cometido e aquela pessoa morre, ficam seus familiares", finaliza Sônia.