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Polícia

Servidor atuava como informante de Giroto e André na gestão Azambuja

20 maio 2016 - 11h20Por Airton Raes

Relatório da Polícia Federal e Controladoria-Geral da União mostra que o ex-secretário de Obras e ex-deputado federal Edson Giroto (PR) e o ex-governador de Mato Grosso do Sul André Puccinelli (PMDB) possuíam um informante dentro da Agesul. As informações eram repassadas mesmo durante a gestão do Governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e tratavam de fiscalizações de obras. Até documentos internos chegavam ao conhecimento do ex-governador.

Em interceptação de diálogo feita em março de 2015, entre o servidor da Agesul Hélio Yudi Komiyama e a ex-presidente da agência, Maria Wilma Casanova, é dito que o “ex-chefão” estava solicitando informações sobre obras feitas pelo governo. De acordo com a CGU, “ex-chefão” e “chefão” se referem ao ex-governador André Puccinelli.

“O ex-chefão precisa de informações sobre a Guaicurus, é possível você me enviar as informações de como andam as obras? Quantas faixas prontas? Informações se alguém for olhar seja possível de visualizar sem se comprometer”, diz Wilma a Hélio Yudi Komiyama, via WhatsApp.

Em outra mensagem Maria Wilma solicita informações sobre sobre uma ponte em obras. “Precisamos falar com você. Assunto: Como está o inventário da ponte (aparecida)”, cita. “To aguardando o Dnit nomear a comissão mista Agesul/Dnit para fazer inventário. Provavelmente será o Paulo Kenit pelo Dnit e Vado pela Agesul. Vê se o chefe pode apertar o pascoal para agilizar”, responde Hélio.

No final de março, Maria Wilma cobra Hélio Yudi sobre documentos referentes ao Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul. “Conseguiu os documentos do TCE/CPR? O Prazo é de cinco dias e queria responder essa semana”, diz.

“É possível verificar que Maria Wilma, muito embora não trabalhasse mais na Agesul, mantinha interesse em diversos assuntos na pasta, sendo informada por Hélio Yudi, servidor de Carreira da Agesul”, descreve o relatório da Controladoria-Geral da União. De acordo com a CGU, os dois combinavam de se encontrar ou na Casa do empresário João Amorim, apontado pela PF como mentor da organização criminosa, ou no escritório de Edson Giroto.

Em outro trecho, Maria Wilma solicita a Komiyama um mapa solicitado pelo 'Doutor André', se referindo ao ex-governador. “Para fechar o relatório para o Dr André, preciso de uma cópia daquele mapa que vocês fizeram com rodovias pavimentadas e recapeadas no governo dele”, diz Wilma.

Para a CGU, os diálogos tornam evidentes que mesmo após o governo, Puccinelli conseguia informações de dentro da Agesul. “Mesmo após o fim do mandato havia ingerência do grupo sobre o andamento das obras”, cita o relatório.

A operação


Após dez meses da primeira fase, a segunda fase da Operação Lama Asfáltica promete desvendar os mistérios que envolvem contratos que ultrapassam R$ 2 bilhões. Conforme as investigações, os recursos foram 'maquiados e desviados' por uma organização criminosa especializada em desviar recursos públicos, inclusive verbas que vinham do Governo federal para o Estado.

O resultado da primeira fase destacou fortes indícios da prática dos crimes de lavagem de dinheiro e provenientes de corrupção passiva, com a utilização de mecanismos para ocultação de tais valores, como aquisição de bens em nome de terceiros e saques em espécie.

Segundo a operação, a organização atua no ramo de pavimentação de rodovias, construções e prestação de serviços nas áreas de informática e gráfica.