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terça, 18 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Polícia

Sindicato denuncia superlotação em delegacias e sobrecarga de policiais

23 novembro 2015 - 12h01Por Anna Gomes

Representantes do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de MS) apresentaram hoje (23) um diagnóstico da situação prisional em Mato Grosso do Sul e denunciaram casos de superlotação, além de sobrecarga dos policiais civis que atuam na resolução de crimes que acontecem no Estado.

"Temos 900 presos, com capacidade para 200, em delegacias civis do Estado. Número muito grande. O que precisamos é de planejamento, um exemplo de lotação aqui na Capital é a 4ª Delegacia de Polícia Civil, onde estão 48 presos, mas a capacidade é de 24", explica presidente do sindicato, Jiancarlo Miranda.

Outra dificuldade apontada pelo sindicato é a realização, com frequência, da audiência de custódia, o que gera acúmulo de presos nas delegacias. No interior, a dificuldade é maior, pois além de esperar o agendamento, muitas vezes os policiais civis têm que escoltar o preso até outra cidade para ser ouvido, realizando o trabalho que deveria ser desempenhado pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Priosional).

O vice-presidente do sindicato, Paulo Queiroz, ressaltou o desvio de função dos servidores, a falta de estrutura das celas e a superlotação. "Neste momento em Ponta Porã por exemplo, um policial está responsável por 26 presos. Eles precisam sair para tomar sol e apenas um servidor faz todo este trabalho. As 49 delegacias do Estado tem um sistema penitenciário frágil e não somos Agentes e sim Policiais Civis. Perdemos nosso tempo fazendo outros trabalhos ao invés de estar investigando e combatendo a criminalidade", destacou.

Ainda conforme o sindicato, 80% das delegacias do interior de Mato Grosso do Sul trabalham com apenas um policial que cuida de dezenas de presos. A intenção é cobrar o Governo do Estado para a contratação de pelos menos mais dois servidores em cada local, para a segurança dos mesmos.

As viaturas também estão precárias. Segundo  Jiancarlo, a cota de combustível teria sido reduzida. "Se não dermos estrutura para os policiais não vamos combater a criminalidade. As viaturas estão sucateadas, as últimas foram entregues há seis anos atrás. Um exemplo é a Derf - Delegacia Especializada de Roubos e Furtos- que trabalha apenas com duas viaturas, uma ainda estava estragada semana passada", lamentou o sindicalista

Para o Sinpol-MS está evidente o panorama caótico por qual passam as delegacias de todo o estado, sendo iminente o risco a segurança dos servidores e da comunidade que reside próximo as unidades policiais. “Temos buscado parcerias com todos os entes que compõe a Segurança Pública e a Justiça para juntos resolvermos esse caos. A sociedade e os policiais civis não aceitam mais tamanha insegurança''.

Segundo o vice-presidente do sindicato, Paulo Queiroz, haverá uma assembleia para negociar com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) no próximo dia 12 de dezembro. Caso a categoria não consiga um acordo, os policiais civis podem entregar as chaves das delegacias.