Tristeza e indignação marcaram o velório do agente penitenciário Carlos Augusto Queiroz de Mendonça, 44 anos, morto a tiros durante plantão no Estabelecimento Penal de Regime Aberto e Casa do Albergado, na quarta-feira (11). Revoltados, agentes de todo o Estado estiveram no local para prestar suas últimas homenagens ao companheiro e também para pressionar por melhorias nas condições de trabalho.
Às seis da manhã, quando se preparava para deixar o posto de trabalho, Carlos Augusto foi surpreendido por um homem encapuzado que disparou quatro tiros, três deles acertaram a vítima no tórax. O Corpo de Bombeiros e o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) fizeram o socorro, mas o agente morreu no local. Apenas dois servidores faziam a guarda do local que alberga 404 homens.

“Nós estamos totalmente chocados. Ele era meu amigo, passamos pelos treinamentos juntos. Uma pessoa incrível, não há qualquer reclamação contra ele, nem dos companheiros e muito menos dos albergados. Era respeitoso com todos”, conta uma agente penitenciária que preferiu não se identificar.
Agente há 10 anos, Carlos era querido por todos. Ele deixou esposa e três filhos. O caso é tratado pelos servidores da segurança pública como uma tragédia anunciada. “Eu já fiz várias denuncias sobre a situação em que trabalhamos, já recorri ao governador, à justiça, a todos. Mas nada é feito”, reclama o presidente do o presidente do Sinsap/MS (Sindicato dos Agentes Penitenciários de Mato Grosso do Sul), André Luiz Garcia Santiago.

Em 2011, outro agente penitenciário morreu no mesmo local. Hudson Moura da Silva, 34 anos, morreu 18 dias após ter sido ferido por dois tiros no portão do presídio de regime aberto. Hudson foi companheiro de Carlos Augustos, os dois foram assassinados em circunstâncias parecidas e a delegacia de homicídios investiga as possíveis ligações entre os dois crimes.
De acordo com André Luiz, casos de violência contra servidores são frequentes. Em 25 de dezembro de 2014, um agrupamento foi alvo de disparos em Dourados e Três Lagoas convive com tentativas de motins há vários anos.
O Sinsap organiza uma série de manifestações pela cidade. Hoje às 13 horas, os trabalhadores farão protesto na Avenida Afonso Pena e em seguida se reúnem em Assembleia na sede do sindicato. Nesta sexta-feira (13), eles devem se reunir com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB).







