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Witzel afirma que não terá compaixão de traficantes: 'não respeitam o humano alheio'

O governador do Rio de Janeiro ainda defendeu que policiais entrem nas casas dos moradores sem mandado, pois eles são forçados a colaborar com o tráfico escondendo armas

19 JUL 2019
Da redação/Meia Hora
08h31min
Foto: Cléber Mendes/Agência O Dia

Uma operação conjunta do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, nesta quinta-feira, apreendeu um paiol com 30 armas – sendo 23 fuzis – e oito toneladas de drogas. Durante uma entrevista coletiva após a operação, o governador Wilson Witzel disse que essa foi a maior apreensão da história do Rio em um mesmo dia e afirmou que "não terá piedade com que não tem respeito com o ser humano alheio".  O governador disse ainda que as armas apreendidas não são utilizadas por pessoas que moram na comunidade e são trabalhadoras: "Não são usadas por pretos, pobres e favelados. São armas usadas por terroristas, que usam a comunidade como escudo, e estão sendo patrocinados por carteis internacionais", afirmou. 

O delegado da Desarme, Marcus Amim, reforça a fala de Witzel e afirmou que a investigação ainda está em curso. Segundo ele, quem alimenta esse cartel de armas "anda de jatinho e mora em mansão". Durante a ação desta quinta – que começou a ser planejada há 15 dias – um container com 14 fuzis e drogas foi descoberto na comunidade Nova Holanda, dentro do Complexo da Maré, e foi apreendido pelo Batalhão de Ações com Cães (BAC). Outra apreensão ocorreu no Parque União, também no Complexo, em um paiol com fuzis em buracos nas paredes. As armas foram encontradas com bom estado de conservação.

Algumas das armas apreendidas tinham a inscrição "CXD". Conforme o delegado Marcus Amim, CX significa uma "caixinha". Uma forma de reserva bélica utilizada líderes da facção para guerras com quadrilhas rivais. Já a letra "D" significa Favela da Caixa D'água, localizada em São João de Meriti. Elas pertenciam ao traficante Miro, um dos líderes do Comando Vermelho na Favela Nova Holanda. Ele é apontado como líder em invasões a comunidades na Baixada Fluminense.

De acordo com Amim, uma das formas de chegada das armas é a marítima e o paiol funcionava como reserva bélica de traficantes. "Esse armamento de hoje estava sendo utilizado em São João de Meriti. O traficante 'Miro da Nova Holanda' é quem controla a comunidade da Caixa d'água, em São João de Meriti. As armas são emprestadas para outros traficantes da mesma facção e essas armas eram reserva dele", afirmou o delegado.  

O governador defendeu que policiais entrem nas casas dos moradores sem mandado, pois eles são forçados a colaborar com o tráfico escondendo armas. Ele disse que, nessa situação, há necessidade de busca e apreensão. 

Durante a coletiva, o governador elogiou a atuação das polícias e voltou a defender o abate de criminosos: "O recado está dado: não enfrente a polícia. Se enfrentar só há dois caminhos, será preso ou será morto. Nós não teremos leniência, não teremos piedade com quem não tem respeito com o ser humano alheio, com a sociedade e, muito menos, com nossos policiais."

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