São vários os desafios que o governador eleito Reinaldo Azambuja (PSDB) terá que enfrentar na administração que se inicia em 2015. Um deles será conseguir reunir a maior parte dos 24 deputados estaduais, e garantir a governabilidade dentro da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS), responsável por avaliar as propostas do tucano.
Com a maior bancada dentro da Casa de Leis, o PMDB poderá ter papel fundamental na gestão do novo governador do Estado. O partido, que lançou Nelsinho Trad na campanha eleitoral deste ano ao Governo, apoiou Azambuja no segundo turno, contra o candidato petista Delcídio do Amaral. Porém, apesar de fortes sinalizações, um acordo para o governo ainda não foi fechado.
De acordo com a vice-governadora eleita, a vereadora por Campo Grande Rose Modesto (PSDB), Azambuja vai conversar com todos os partidos para conseguir garantir a sua governança. “O Reinaldo vai buscar a maioria na Assembleia para nós termos o nosso espaço e nós também queremos fortalecer a base. Ele deve ir até a Casa de Leis, para fazer uma visita e conversar com todos os partidos para pedir apoio dos novos deputados e dos que foram reeleitos”, comentou ela, que faz parte da comissão de transição nomeada pelo tucano.
Azambuja teráno próximo ano na Casa de Leis o apoio garantido dos tucanos Onevan de Matos, professor Rinaldo, irmão da vice-governadora eleita Rose Modesto, e os novos parlamentares Flávio Kayatt e Angelo Guerreiro. Além de Barbosinha (PSB) e de Zé Teixeira (DEM), que pode compor o governo assumindo uma secretaria e abrindo espaço para o vereador da Capital Herculano Borges (SD). Somando, são seis parlamentares já confirmados da base.
Aliado do senador Delcídio do Amaral (PT), na disputa para o Governo do Estado, os três deputados do PDT podem integrar a base de sustentação de Reinaldo Azambuja, como afirma George Takimoto, que mantém fortes ligações com o PMDB e integra a "chapinha". Para o parlamentar, a bancada do PDT, formada por Felipe Orro e pelo novato Beto Pereira, querem contribuir para dar governabilidade ao novo governo.
“O PDT quer contribuir com esses três deputados para dar sustentação ao governo. Entretanto nós ficaremos também vigilantes no sentido de que as coisas andem e continuem andando para o bem do Estado de Mato Grosso do Sul. O presidente do PDT, João Leite Schmidt já conversou com Reinaldo, onde houve um primeiro encontro, ele é um homem articulador e conhecedor extremo de política”, ressaltou Takimoto. Se for sacramentado o apoio, a base aumenta para nove parlamentares.
PMDB – Para o atual presidente da Casa de Leis, deputado peemedebista Jerson Domingos - que foi contra a legenda nas eleições e apoiou o senador Delcídio do Amaral (PT) e que já anunciou a saída do partido - afirmou que para haver acordo entre as siglas vai depender dos acordos que serão fechados entre os partidos, principalmente, os realizados com o governador André Puccinelli. Parte desses acordos podem estar relacionada a ocupação de algumas secretarias e de garantir a eleição do presidente regional do PMDB, Junior Mochi para a presidência da Casa de Leis.
“São vários acordos fechados com o governador que eu não sei quais são, mas a pergunta que fica é até quando o PMDB vai ficar sob as hóstias do PSDB? Nós não temos uma bola de cristal para saber como ele [Reinaldo] vai comandar o Estado”, disse o parlamentou.

Sobre esse acordos, Mochi revelou que não houve nada durante as eleições quando o candidato derrotado Nelson Trad Filho (PMDB) apoio Reinaldo no segundo turno e afirmou que até o momento os partidos ainda não conversaram sobre a questão do apoio do PMDB. "Nós ainda não conversamos nada e não temos nada definido".
Conforme o presidente regional do PSDB, deputado federal eleito Marcio Monteiro revelou que os partidos têm pré-disposição para estarem juntos pelos próximos anos. “O governador André Puccinelli está fazendo o entendimento, a maioria do PMDB foram com o Reinaldo no segundo turno e existe esta disposição de estarmos juntos. Mas evidentementeque aqui [Assembleia] é um poder independente, os parlamentares irão cumprir o papel deles e acredito todos os parlamentares terão uma boa relação com o Executivo”, comentou.
Para Rose Modesto, o PMDB quer ajudar e contribuir na administração. “O Reinaldo já teve conversando com o partido por diversas vezes e há essa disposição por partes dos legisladores. Mas ninguém administra sozinho e precisa de todo mundo para governar”, se limitou em dizer.

Em 2015 devem integrar a bancada os deputados do PMDB, Maurício Picarelli, Junior Mochi, Eduardo Rocha [esposo de Simone Tebet] e Marquinho Trad que pode deixar o partido, além dos novatos Antonieta Amorim e Renato Câmara, e o apoio dos partidos que compõe a “chapinha” Lídio Lopes (PEN), Mara Caseiro e Marcio Fernandes , ambos do PT do B, além de Takimto já citado. Com isso, além dos nove parlamentares, Reinaldo pode ter adesão de mais nove deputados, totalizando 18 parlamentares dos 24 que compõem a Casa de Leis. Porém, a situação ainda permanece indefinida.
Oposição - Pela contramão está a bancada do Partido dos Trabalhadores que já anunciou que fará oposição a Reinaldo Azambuja. Conforme o líder do partido na Assembleia, Amarildo Cruz, assegurou que a sigla vai continuar fazendo o mesmo trabalho que desenvolve na Casa de Leis. "As ideias que ele [Reinaldo] tem são diferentes das nossas e vamos fazer a oposição, mas é claro que aqueles projeto que forem de interesse para a população nós vamos sentar e discutir todas as propostas, dentro daquilo que nós entendermos que é importante".

Além de Amarildo Cruz estão Pedro Kemp, Cabo Almi e o novato João Grandão do PT. Ainda sem definição está a bancada do Partido da República, Paulo Corrêa e Grazielle Machado, filha de Londres Machado que foi vice do senador da República, Delcídio do Amaral, nas eleições. Ao todo, o saldo de parlamentes oposicionista será de seis deputados pelos próximos anos.








