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Apoio de Bernal é rendição aos Trad, dispara ex-aliado e denunciante do golpe

Mais importante denunciante da tirada de Bernal no cargo hoje se diz decepcionado

30 OUT 2016
Vinícius Squinelo
07h00min
Foto: Reprodução

“Não é um apoio, é uma rendição”. Assim Eduardo Bottura, mais importante denunciante do suposto golpe político em Campo Grande, define a aliança entre Alcides Bernal (PP) e Marquinhos Trad (PSD) no segundo turno das eleições da Capital. Engenheiro e ativista político, Bottura esteve ao lado de Bernal no momento mais crítico da carreira do prefeito: a cassação. Hoje, se diz decepcionado.

“Esse apoio parece bem mais uma rendição pra depois não sofrer uma devassa. Não teve apoio a Marquinhos Trad, teve rendição”, dispara Eduardo Bottura. “É como dizer: está bom, vocês ganharam. Não consigo ver lógica nenhuma de ficar quatro anos  falando que foi vitima de um clã e agora dá apoio, é rendição, ele se rendeu”. Veja o vídeo abaixo:

 

Antes que alguém acuse Bottura de ser ‘anti-Bernal’ ou ‘golpista’ é bom explicar a história entre o ativista e o prefeito. Eles se aproximaram em 2012, pouco antes da cassação de Bernal, e atuaram juntos até a volto ao cargo, em agosto do ano passado. 

“Desde 2008 que eu venho me aproximando de todas as oportunidade para quebrar esse sistema político Mato Grosso do Sul. Quando tomei conhecimento da iminência do golpe me apresentei ao Wilton Acosta, advogado de Bernal, expliquei minha experiência em situações de litigio, e passei a ajudar a desvendar esse golpe”, explica Bottura.

O prefeito foi cassado em março de 2014. Nesse período, Bernal e Bottura se viam praticamente todos os dias, inclusive foi o ativista o responsável por divulgar um vídeo, bomba na época, denunciando o suposto golpe.

Como consequência da sequência de denúncias, o Gaeco deflagrou a operação Coffe Break, que culminou com a volta de Bernal ao cargo, ano passado. “Depois disso nunca mais falei com ele, nunca pedi um cargo, um trabalho, um nada, tudo que fiz foi por ideologia”, comenta Bottura.

E foi justamente esse fator ideológico que afastou o prefeito e o agora ex-aliado. “Quando o Bernal declarou que tentaria a reeleição, eu o apoiei publicamente. Até o segundo turno, quando ele declarou apoio ao Marquinhos Trad”, relatou Bottura.

O apoio foi a ruptura final entre os dois. “Foi uma decepção, ele se contradiz”. “Como poderia lutar contra o sistema do PMDB de Trad e Puccinelli se ele se junta a quem chamava de golpista”. São apenas algumas frases de revolta do denunciante do golpe.

“Ele cometeu um suicídio político”, resume Bottura. “Deixou tudo que ele significava no processo político de MS”, lamenta.

Para o ex-aliado, Bernal pode até ter negociado um ‘alívio’ para o próximo ano, com Marquinhos Trad, caso eleito, não realizando uma devassa nas contas municipais. “Ou isso ou ele é totalmente biruta”.

Ele ainda ironiza o futuro político de Bernal: ‘vai ser o que? Uma chapa com Puccinelli ou Simone liderando e Bernal senador?’. “E ele nunca mais vai poder falar ‘vota em mim porque eu não sou da máfia’, já que se juntou a ela”.

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