O presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Waldir Neves Barbosa oficializou a exoneração de André Luiz Cance do cargo de assessor de gabinete I, do TCE. A publicação consta no Diário Oficial deste quarta-feira (22). Segundo informações da Polícia Federal, durante a operação Lama Asfáltica, Cance teria recebido propina da empresa Gráfica Alvorada, do empresário Mirched Jafar enquanto desempenhava a função de secretário-adjunto de Fazenda, durante o governo de André Puccinelli.
A Gráfica Jafar Ltda, também conhecida pelo nome fantasia Gráfica Alvorada, está na lista das empresas investigadas pela Operação Lama Asfáltica, deflagrada dia 9 de julho, que averigua a existência de um esquema de corrupção que desviou mais de R$ 11 milhões dos cofres públicos.
Conforme documentos obtidos pelo Top Mídia News, as investigações apontam que o proprietário da Gráfica Alvorada, Mirched Jafar Junior, teria realizado diversos pagamentos de propina para agentes públicos em troca de favorecimento nas licitações realizadas pelo governo estadual.
De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), Junior, como era conhecido o empresário, pagava propinas para o ex-secretário-adjunto de fazenda, André Luiz Cance, para o ex-governador André Puccinelli (PMDB) e para o proprietário da Proteco Construções Ltda, João Amorim – que também é apontado como um dos principais líderes da organização criminosa.
A Polícia Federal interceptou uma ligação telefônica, realizada em 17 de dezembro de 2014, em que Cance pede que João Amorim empreste o “cheio de charme”, codinome para a aeronave do empresário, para que Junior viaje a Brasília, e destaca que o dono da gráfica seria o único disposto a cumprir o acordo, possivelmente o pagamento de propinas.
Em resposta, João Amorim garante que irá emprestar o avião desde que ele se responsabilize pelo combustível e ainda fala em “calote” dos demais envolvidos. Cance explica que ainda é possível receber o benefício, possivelmente a propina, mas não sabe se ela vai chegar até o dono da Proteco.
Nas investigações, Cance é apontado como braço direito do ex-governador André Puccinelli e intermediário no recebimento de propinas. Em ligação interceptada pela Polícia Federal no dia 22 de dezembro de 2014, o peemedebista convoca uma reunião com o então secretário-adjunto para que “tenha uma boa alvorada”.
Segundo o MPF, Cance ligou para Junior, da Gráfica Alvorada, minutos depois e marcou um encontro para recebimento do dinheiro. Já no dia 26 de dezembro, Puccinelli cobrou os “documentos” da gráfica para fazer a prestação de contas.
Uma quarta pessoa ainda não revelada também poderia estar envolvida, sendo que ela receberia parte do valor entregue ao ex-governador. O MPF considera que essa informação fica subentendida em conversa entre Cance e João Amorim, interceptada em 29 de dezembro de 2014.
O órgão de fiscalização também garante que Puccinelli tinha conhecimento da estrutura da organização e do seu modus operandi, contribuindo com as atividades ilícitas a partir do cargo que ocupava, inclusive intermediando pessoalmente a prorrogação de contratos que foram fraudados na origem e na execução.
Em relação à Gráfica Alvorada, a participação do chefe de Estado no esquema ficaria comprovada através de pagamento de R$ 13 milhões para a empresa, realizado dia 31 de dezembro de 2014, último dia de gestão do governo peemedebista.
O empenho chegou a ser criticado pelo sucessor, governador Reinaldo Azambuja (PSDB), em janeiro deste ano. Na ocasião, ele destacou que o ato estava “sob suspeição” e seria investigado. Ainda segundo ele, o peemedebista deveria ter se preocupado em comprar os kits escolares que atenderiam cerca de 300 mil alunos da Rede Estadual de Ensino.







