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Política

18/12/2025 07:00

Com Campo Grande em colapso, Adriane promete afundar aliados nas eleições 2026

Aliados tentam se afastar da imagem da "dona da bota" para evitar queda da popularidade

Com Campo Grande à beira do colapso, saúde abandonada, denúncias de folha secreta e greves explodindo, a prefeita Adriane Lopes (PP) virou "radioativa" para interessados nas eleições de 2026. Aliados tentam se afastar da imagem da "dona da bota" para evitar queda da popularidade por associação.

O ambiente político em Campo Grande está em ebulição, especialmente no final deste 2025, com a imagem de Adriane seriamente abalada por problemas administrativos que se arrastam por meses e agora explodiram com a greve dos motoristas de ônibus. A paralisação no transporte coletivo deixou mais de 110 mil usuários sem ônibus nas ruas e teve forte apoio popular.

Inicialmente, a prefeita permaneceu em silêncio público diante da crise, fato que alimentou críticas sobre sua liderança e comunicação institucional, incluindo a realização de coletiva somente com subordinados, a qual o TopMídiaNews foi barrado de participar por conta da atuação jornalística independente.

A greve, motivada por atrasos nos pagamentos e problemas contratuais com o Consórcio Guaicurus, gerou prejuízo diário estimado em R$ 10 milhões ao comércio local, segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande. 

Aliados tentam se afastar da imagem da "dona da bota" para evitar queda da popularidade

Aliados políticos relatam que a crise do transporte coletivo se soma a um quadro mais amplo de desgaste da administração que, embora arrecade mais, com crescimento de R$ 670 milhões na arrecadação segundo indicadores de receitas municipais, enfrenta dificuldades para transformar isso em serviços públicos eficientes. 

Entre as polêmicas que enfraquecem a prefeita está a cobertura de crise fiscal e contas no limite. Campo Grande atingiu 99,94% de gastos em relação à arrecadação, obrigando a gestão de Adriane a recorrer a um novo Plano de Equilíbrio Fiscal, um conjunto de medidas de contenção e reorganização orçamentária que restringe concursos públicos, reajustes salariais e incentivos fiscais, gerando insatisfação entre servidores e sociedade. 

No campo da transparência e gastos públicos, adversários políticos destacam o retorno de práticas questionadas como a chamada "folha secreta" de supersalários, mascarados hoje sob rubricas genéricas como "outros pagamentos", em valores que teriam excedido o teto constitucional e beneficiado membros do alto escalão da Prefeitura em 2025. O TopMídiaNews apurou remunerações líquidas acima de R$ 30 mil mensais para secretários e pastores nomeados na administração, enquanto servidores de base enfrentam estagnação salarial. 

Aliados tentam se afastar da imagem da "dona da bota" para evitar queda da popularidade

Críticas também se acumulam sobre uso de recursos públicos e prioridades da administração. O Conselho Municipal de Saúde pediu auditoria técnica após apontar suposta transferência de R$ 156,8 milhões do Fundo Municipal de Saúde para cobrir outras despesas, sem transparência adequada nos extratos bancários e sem registro claro de contas a pagar nos balancetes. Também desaprovou as contas de 2024, o que deve atrapalhar a busca de novos recursos para Campo Grande. 

Escândalos menores, mas politicamente simbólicos, reforçam o desgaste: protestos contra a prefeita ganharam as ruas em novembro, quando um grupo de moradores organizou um ato em frente à Prefeitura com faixas e críticas à condução da administração, destacando falhas em serviços públicos e a sensação de abandono nas áreas de saúde, infraestrutura e transporte. Na sequência, manifestação da 14 de Julho foi reprimida com a força pela Guarda Civil Metropolitana, quando professor chegou a ser agredido e mãe atípica foi chamada de criminosa. 

Aliados tentam se afastar da imagem da "dona da bota" para evitar queda da popularidade

No meio desse cenário, aliados temem que a associação à imagem de Adriane seja um fardo eleitoral nas eleições de 2026, levando estratégias de distanciamento político em campanhas futuras. Nos bastidores, alguns pretendentes a cargos proporcionais e majoritários em Mato Grosso do Sul avaliam cuidadosamente como lidar com o legado da prefeita.

Políticos próximos ao Paço Municipal deixaram de participar de agendas públicas conjuntas e evitam menções abertas à prefeita, apostando em pautas e imagens próprias para escapar da associação a um ciclo de polêmicas que, na avaliação de estrategistas políticos, pode custar caro nas urnas em 2026.

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