Com Campo Grande à beira do colapso, saúde abandonada, denúncias de folha secreta e greves explodindo, a prefeita Adriane Lopes (PP) virou "radioativa" para interessados nas eleições de 2026. Aliados tentam se afastar da imagem da "dona da bota" para evitar queda da popularidade por associação.
O ambiente político em Campo Grande está em ebulição, especialmente no final deste 2025, com a imagem de Adriane seriamente abalada por problemas administrativos que se arrastam por meses e agora explodiram com a greve dos motoristas de ônibus. A paralisação no transporte coletivo deixou mais de 110 mil usuários sem ônibus nas ruas e teve forte apoio popular.
Inicialmente, a prefeita permaneceu em silêncio público diante da crise, fato que alimentou críticas sobre sua liderança e comunicação institucional, incluindo a realização de coletiva somente com subordinados, a qual o TopMídiaNews foi barrado de participar por conta da atuação jornalística independente.
A greve, motivada por atrasos nos pagamentos e problemas contratuais com o Consórcio Guaicurus, gerou prejuízo diário estimado em R$ 10 milhões ao comércio local, segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande.

Aliados políticos relatam que a crise do transporte coletivo se soma a um quadro mais amplo de desgaste da administração que, embora arrecade mais, com crescimento de R$ 670 milhões na arrecadação segundo indicadores de receitas municipais, enfrenta dificuldades para transformar isso em serviços públicos eficientes.
Entre as polêmicas que enfraquecem a prefeita está a cobertura de crise fiscal e contas no limite. Campo Grande atingiu 99,94% de gastos em relação à arrecadação, obrigando a gestão de Adriane a recorrer a um novo Plano de Equilíbrio Fiscal, um conjunto de medidas de contenção e reorganização orçamentária que restringe concursos públicos, reajustes salariais e incentivos fiscais, gerando insatisfação entre servidores e sociedade.
No campo da transparência e gastos públicos, adversários políticos destacam o retorno de práticas questionadas como a chamada "folha secreta" de supersalários, mascarados hoje sob rubricas genéricas como "outros pagamentos", em valores que teriam excedido o teto constitucional e beneficiado membros do alto escalão da Prefeitura em 2025. O TopMídiaNews apurou remunerações líquidas acima de R$ 30 mil mensais para secretários e pastores nomeados na administração, enquanto servidores de base enfrentam estagnação salarial.

Críticas também se acumulam sobre uso de recursos públicos e prioridades da administração. O Conselho Municipal de Saúde pediu auditoria técnica após apontar suposta transferência de R$ 156,8 milhões do Fundo Municipal de Saúde para cobrir outras despesas, sem transparência adequada nos extratos bancários e sem registro claro de contas a pagar nos balancetes. Também desaprovou as contas de 2024, o que deve atrapalhar a busca de novos recursos para Campo Grande.
Escândalos menores, mas politicamente simbólicos, reforçam o desgaste: protestos contra a prefeita ganharam as ruas em novembro, quando um grupo de moradores organizou um ato em frente à Prefeitura com faixas e críticas à condução da administração, destacando falhas em serviços públicos e a sensação de abandono nas áreas de saúde, infraestrutura e transporte. Na sequência, manifestação da 14 de Julho foi reprimida com a força pela Guarda Civil Metropolitana, quando professor chegou a ser agredido e mãe atípica foi chamada de criminosa.

No meio desse cenário, aliados temem que a associação à imagem de Adriane seja um fardo eleitoral nas eleições de 2026, levando estratégias de distanciamento político em campanhas futuras. Nos bastidores, alguns pretendentes a cargos proporcionais e majoritários em Mato Grosso do Sul avaliam cuidadosamente como lidar com o legado da prefeita.
Políticos próximos ao Paço Municipal deixaram de participar de agendas públicas conjuntas e evitam menções abertas à prefeita, apostando em pautas e imagens próprias para escapar da associação a um ciclo de polêmicas que, na avaliação de estrategistas políticos, pode custar caro nas urnas em 2026.







