No Brasil as coisas acabam se confundindo um tanto e, o destino do dinheiro arrecadado para as campanhas políticas, pelo seu uso final, terminam por ser vistos como um longo processo de compra de favores diretos aos investidores, e não um investimento no global.
Aos menos afeitos ao processo político, um resumo simplista dos motivos que levam pessoas e, principalmente empresas a doarem dinheiro para as campanhas dos mais diversos candidatos, ou até mais de um:
Sou uma pessoa, física ou jurídica e desejo por motivações próprias, ou até visando lucros para minhas empresas, que o município, estado e mesmo o país se desenvolva em ritmo constante e acelerado para que eu possa sempre poder desfrutar de melhor qualidade de vida.
Baseado nisso vou analisar o currículo do candidato, o programa dos partidos, suas propostas e projetos de governo. Para aqueles que se apresentarem mais de acordo com minhas convicções e forem mais plausíveis de serem aplicados, darei minha contribuição financeira para auxiliar que tal candidato ou partido vençam. É uma das formas de participar, como cidadão, da tão sonhada Democracia: a forma de governo em que a soberania é exercida pelo povo. Ou seja, alguns contribuem com a participação direta no processo, são pessoas que exercerão cargos públicos, colocando suas habilidades pessoais e profissionais a serviço do país; outras contribuem para que estas pessoas possam conquistar o cargo ao qual se lançam candidatas.
O que, efetivamente eu ganho com isso? Um país, estado e município melhores onde eu possa viver e prosperar. Como todos nós deveríamos ter uma consciência social e um espírito de pertencimento a uma Nação, precisaríamos ter intrínseco que só posso estar bem numa comunidade que esteja bem. É o tão falado bem comum, o bem estar social.
Se desenvolvermos esse pensamento em termos de empresas, temos que entender que estas também investem em candidatos que possam, através de programas e projetos de governo, buscar conseguir o desenvolvimento econômico e social. Dessa forma terão funcionários melhor preparados e com maior nível cultural – porque educação funciona –, saudáveis física e mentalmente – saúde pública e lazer a contento – e dispostos a desenvolverem bem suas funções – porque transporte público e segurança permitem seus deslocamentos sem estresses e medos.
Portanto, os valores que as empresas repassam para o candidato A ou B, não são “doações”, são “investimentos”.
Assim também funciona para a pessoa física: vou investir nas propostas que me proporcionem tudo isso que as empresas têm mais facilidade em avaliar matematicamente.
Mas tudo isso, que é regra democrática em muitos países, no Brasil cai no terreno da utopia. Então, o que se vê é o investimento em partidos que consigam repassar estes recursos comprando direta ou indiretamente o voto que os levará ao poder para, assim que assumam o comando do governo, me proporcionarem o retorno garantindo cargos para mim ou para os meus – no caso da pessoa física –, ou beneficiando diretamente minha empresa facilitando ou direcionando licitações ou compras diretas que me tornem fornecedor de produtos e/ou serviços para o Estado (leia-se governo), de tal forma e com preços tão alterados que me permitam ter investido aquele dinheiro como num jogo financeiro de agiotagem. Ou seja, o dinheiro retorna na forma de lucro direto e não na forma de benefícios.
É um jogo egoísta, corrupto e corruptor. Supostos casos muito recentes, ocorridos aqui mesmo na Capital, demonstram isso.
Neste viés ao qual estamos acostumados, e do qual devemos sair pela nossa própria sobrevivência, a “democracia” precisa ser exercida no dia a dia, com a cobrança de seriedade e mais, com a vigilância de políticos e ações de governo.
O ruim de nossa "Corrupção Endêmica" é que grande parte da população não condena esta corrupção, mas lamenta o fato de não fazer parte deste grande esquema. Por isso se deixam comprar com o combustível “grátis” que recebem para estamparem adesivos em seus carros, pela cesta básica ou dinheiro em espécie que recebem pelo seu voto etc.
Na esperança de alcançarem, para si apenas, os benefícios, alimentam o próprio bandido que os vai assaltar, o último lugar na fila de um posto de atendimento médico sem profissionais, a péssima educação que deixará a ele e aos seus filhos sem condições de prosseguirem nos estudos ou competirem em igualdade de condições no mercado de trabalho, o transporte público sem qualidade e com superlotação...
Temos, urgentemente, de descobrir que somos cidadãos e, cidadania exige uma Nação. Nosso voto pode nos tornar ou ponta final do investimento, ou prostitutas sociais.







