Exceto pelos militantes, apoiadores ou simpatizantes de candidatos e partidos, e são minoria entre os eleitores, a maior parte da população, quando ouvida em enquetes informações e rodas de conversação, estão absolutamente indecisos em relação à sua escolha para os candidatos ao governo do Estado e ao Senado.
Com uma compreensível inversão de valores, o que se pode assegurar - sem a certeza científica que só pode haver através de pesquisa séria – é que existe mais certeza na rejeição deste ou daquele candidato e dúvidas em relação à candidatura do ex-prefeito Alcides Bernal. Neste caso específico, não sobre votar ou não no candidato, mas se a justiça irá permitir que concorra e, se não houver decisão judicial até lá, se no caso for eleito, conseguirá assumir.
A rejeição parece consolidada, nos índices já registrados e divulgados de pesquisas recentes. As incertezas deixam claro que, com a falta de palanques que atraiam o eleitor para conhecerem as propostas, ou promessas, todos aguardam pela propaganda em rádio e TV, para só então decidirem suas escolhas.
Nesse aspecto ficam evidentes as diferenças de “peso”, ou importância, que há entre as eleições majoritárias e as proporcionais. Ninguém demonstra interesse em dedicar seu tempo e atenção ao programa dos candidatos a deputados federais e estaduais. Em relação a estes, querem um contato direto e pessoal. Compreensível que seja assim porque o modelo de divulgação por TV e rádio permite tempo pouco mais que suficiente para que apresentem seus nome, número e partido e a ladainha de lutar por saúde, educação e segurança, sem qualquer aprofundamento nas questões.
Dessa forma, as eleições criam a ambiguidade de um sistema eleitoral quase parlamentarista, porque os candidatos legislativos, por meio desse contato com o eleitor, será o grande cabo eleitoral dos candidatos ao governo do Estado e à presidência da República. Através deles é que os candidatos serão melhor conhecidos e, através da sinceridade de apoio aos seus candidatos majoritários, é que a população prestará mais ou menos atenção às propostas que serão divulgadas na TV e rádio.
Com certeza, ainda que tenhamos três candidatos ao governo do Estado, e o mesmo número ao Senado, melhor posicionados nas pesquisas e nas conversas, também teremos uma Assembleia sem maioria para qualquer que venha a ser o eleito. Tudo indica que haverá renovação de pelo menos 30% naquela Casa de Leis.
Isso confirma o comentário do governador André Puccinelli, quando diz que existem “preferidos” e que estes receberão carinho e atenção mais efetivos. Cada um dos candidatos ao Parque dos Poderes trabalha nesta linha. Afinal, são mais fortes os que já exercem mandatos e aqueles que foram preparados por quem já previa essa renovação. Resta saber se, nestas eleições se repetirá o que aconteceu na campanha para prefeito da Capital em 2012, quando descontentes com a imposição de Edson Giroto, abertamente fizeram campanha solo – trabalhando pelo seu nome e deixando ao eleitor a livre escolha do candidato à Prefeitura.
Se este horizonte se confirmar, vale o peso e a força das coligações que possuam nas suas fileiras os partidos mais programáticos e menos “alugáveis”. Indiretamente, pode-se dizer que os votos dados aos candidatos ao legislativo irão nortear a escolha do futuro governador. É um estranho parlamentarismo da democracia tupiniquim-pantaneira.







