Enquanto vários bairros de Campo Grande estão com a coleta de lixo atrasada, a prefeitura firmou convênios para que o Aterro Sanitário Dom Antônio Barbosa II, operado pela CG Solurb, receba resíduos das cidades de Figueirão, Jaraguari, Bandeirantes e Corguinho.
Os extratos foram publicados no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) desta quarta-feira (11) e formalizam a regionalização do uso do espaço. A vigência prevista é de um ano, entre novembro de 2025 e novembro de 2026.
Pelos termos publicados, a taxa inicial para recebimento dos resíduos será de R$ 214,54 por tonelada, valor que será pago pelos municípios vizinhos.
Na prática, os acordos ampliam a utilização do aterro da Capital, centralizando a destinação final do lixo de cidades do entorno. Não há detalhes sobre o impacto ambiental para o município e para as comunidades nas proximidades.
Enquanto isso, a Cidade Morena vem sofrendo com falhas recorrentes na coleta de lixo nos bairros. Nesta quarta-feira (11), moradores do Lageado, Iraci Coelho, Aero Rancho e região ficaram sem o serviço, problema que está deixando de ser pontual, como já reportado pelo TopMídiaNews e mostrado ao final do texto com vídeo de leitor gravado nesta manhã.
A coincidência levanta suspeitas sobre a real natureza da crise sanitária em Campo Grande. Enquanto a Solurb garante fôlego operacional para importar resíduos de municípios vizinhos, garantindo nova receita, os caminhões somem das ruas de bairros periféricos justamente em um momento crítico após suspensão temporária de reajuste abusivo na Taxa de Lixo, que compõe o IPTU.
Veja o que diz a Solurb:
Os recentes atrasos registrados na coleta de resíduos em alguns bairros de Campo Grande foram pontuais e decorreram exclusivamente de uma intercorrência operacional relacionada à ausência significativa de colaboradores em dias específicos. Não há qualquer relação entre esta situação e eventuais discussões contratuais ou financeiras.
O serviço de coleta domiciliar não está descontinuado. Houve impacto pontual, que não atingiu 5% da população do município, e a regularização integral das regiões afetadas ocorrerá até amanhã, 12/02, através de um ajuste operacional já implementado.
Quanto aos convênios firmados para recebimento de resíduos de municípios vizinhos, é importante esclarecer que se referem exclusivamente à disposição final em aterro sanitário, destinada a cidades que não possuem estrutura própria licenciada. Esse tipo de operação ocorre desde 2013 e é tecnicamente independente do contrato de coleta domiciliar firmado com o Município de Campo Grande.
A bem da verdade, não se pode confundir a prestação do serviço de disposição final para outros municípios com a execução da coleta urbana na Capital. São atividades distintas, com naturezas operacionais e contratuais próprias. As eventuais receitas provenientes desses convênios não interferem na dinâmica operacional da coleta domiciliar.
A discussão sobre a Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos decorre de exigência prevista no Marco Legal do Saneamento, sendo instrumento de sustentabilidade financeira dos serviços de limpeza pública como um todo. Trata-se de debate estrutural e não possui qualquer vínculo com a intercorrência operacional pontual registrada nos últimos dias.
A empresa reitera ainda que não procede qualquer tentativa de associação entre atrasos operacionais e inadimplência do Poder Público. São temas distintos. Vincular uma situação à outra leva à interpretação equivocada e desprovida de fundamento técnico.
A CG Solurb permanece à disposição para esclarecimentos técnicos, reafirmando seu compromisso com a regularidade e continuidade dos serviços prestados à população de Campo Grande, bem como a transparência de seus atos, que marcam nossa atuação de mais de 13 anos, e a satisfação dos munícipes em mais de 94%, conforme pesquisa anual independente.
Prefeitura também foi procurada pela reportagem para esclarecimentos, mas não se manifestou. O espaço está aberto.
* Matéria editada às 7h46 de 12/2 para acréscimo de posição da Solurb








