Menu
segunda, 06 de dezembro de 2021 Campo Grande/MS
CONSTRUINDO O SABER 29/11 A 29/12
Política

Baird e Cortez usavam bon vivant para lavarem dinheiro no Paraguai

Empresas e pessoas supostamente fantasmas, doleiros, também eram usadas no esquema

29 novembro 2018 - 09h20Por Celso Bejarano

Donos de empresas de informática em Campo Grande (MS) que há anos faturam milhões de reais em contratos pactuados com o poder público sul-mato-grossense, João Baird e Antônio Celso Cortez, presos pela Polícia Federal,  seriam parceiros da empresa Rave, com sede em Luque, cidade paraguaia. 

A Rave, para a PF, seria propriedade de Cortez e Baird, que teriam como testa-de-ferro Luiz de Barros Fontolan, um bon vivant [boa vida em francês], nascido de Martinópolis (SP), que mora em Assunção (PY) e transita pela capital sul-mato-grossense.

Rave teria, segundo relato em sua página na internet, como missão principal a de ofertar “consultoria em informática”.

Investigações conduzidas pela CGU (Controladoria Geral da União) apontam diversas transações financeiras envolvendo agências bancárias, doleiros paraguaios e a Have, empreendimento, que no papel seria de Luiz Fernando de Barros Fontolan e de Fábio Portela Machinsky.

Contudo, para a PF, “no dizer da CGU a Rave S.A. seria propriedade de João Baird e/ou Antônio Cortez, administrada no Paraguai por Fontolan e Machinsky”.

Laranjas

Ou seja, os dois que seriam empresários no Paraguai, na realidade, eram laranjas de “Baird e/ou Cortez”.

De acordo com o relatório da PF enviado à 3ª Vara Federal, em Campo Grande, que pediu a prisão de Baird e Cortez, na 6ª fase da Lama Asfáltica, a “Computadores da Lama”, moedas nacionais, reais, no caso, eram depositadas no Paraguai e, depois, sacados em dinheiro americano, o dólar.

“Em relação à saída das contas em dólares, a CGU verificou que em todos os extratos que os destinatários [que pegaram o dinheiro] foram Luís Fontolan, Fábio Machinsk, João Arnar Ribeiro [que seria um advogado em Dourados], Antônio Cortez, Miguel Fernandes [não identificado ainda] e Nelson Pereira [outro não identificado]”, diz trecho do relatório.

Ainda conforme o relatório, Cortez e Baird que enviaram para o Paraguai quantias em reais e recebiam em dólares, usavam nomes de laranjas e empresas fantasmas e doleiros paraguaios como meio de “legalizar” as operações.

"Consta na base Receita Federal que Ana Cláudia Zacarias é moradora de Jaboatão dos Guararapes (PE). Contudo sua página no Facebook indica que sua origem é a cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai”, afirma o relatório da PF.

Na investigação, a PF descobriu que Cortez pedia que fossem feitos depósitos em nomes de pessoas e empresas que morariam no Brasil. No caso, Cláudia, que pode nem saber que foi usada no esquema, era uma delas. 

Para se ter a ideia da quantia enviada para o Brasil somente por meio de doleiros paraguaios: entre junho e setembro do ano passado Cortez, diz a PF, mandou para o país vizinho R$ 1,7 milhão por meio da transação que converte a moeda nacional em dólar.

Bon Vivant

Fontolan, que administraria o dinheiro de Baird e/ou Cortez, no Paraguai, como diz relatório da PF, exibe em seu perfil pessoal no Facebook façanhas turísticas possíveis mesmo apenas para quem tem dinheiro de sobra para gastar.

TopMidiaNews pesquisou que o empresário em questão possui motocicleta de 1,2 mil cilindradas, veículo que não custa menos de R$ 80 mil.

E, pelas fotografias exibidas por ele no Facebook, faz viagens constantes pela América do Sul, sempre pilotando sua potente máquina.

Ele diz que mora em Assunção e, sua empresa, a Rave, em Luque, cidade distante 15 quilômetros da capital paraguaia.



Luis Fontolan em uma das suas viagens (Foto: reprodução / Facebook)