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Política

Bloqueio de bens, MPE e Gisa travam comando de Nelsinho no PTB

12 maio 2016 - 16h50Por Diana Christie e Dany Nascimento

O rompante de Nelsinho Trad, quando assumiu o comando do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) em Mato Grosso do Sul já como pré-candidato à prefeitura de Campo Grande, vem perdendo a força com o passar do tempo. O peso de duas administrações marcadas por diversos escândalos em contrapartida com o fortalecimento das investigações policiais, cada dia mais impactantes e mais embasadas, atrapalham o foco do ex-prefeito de Campo Grande.

Tendo que ocupar seu tempo explicando problemas antigos, negociações suspeitas e outras eventuais irregularidades, Nelsinho patina para levantar o partido e ainda não definiu os nomes que devem liderar a corrida eleitoral deste ano, deixando a militância a mercê dos movimentos de outras legendas. A própria candidatura não é confirmada, e o ex-prefeito pode abrir espaço para o irmão mais novo, Marquinhos Trad, hoje no PSD.

No mais recente dilema, o ex-prefeito tornou-se réu em ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal. Ele é acusado de realizar promoção pessoal em obras públicas, com fixação de totens com expressa menção ao seu nome e número da obra realizada em sua gestão.

Seus advogados pediram a rejeição do processo, mas a Justiça Federal considerou que “não são robustas nem irrefutáveis as teses apresentadas na defesa”. Para o MPF, a postura adotada pelo ex-prefeito viola os princípios da impessoalidade, legalidade e moralidade administrativa.

“Os totens têm o evidente objetivo de promover o nome do administrador e vincular, permanentemente, sua imagem ao cenário urbano da cidade. Porém, a 'coisa pública' não é apropriável pelo particular, nem pode esse, no exercício do cargo, utilizar a máquina para se promover”, diz o órgão.

Sistema Gisa 

Sobre o ex-gestor, ainda paira o ‘mistério’ do Sistema Gisa (Sistema de Gestão de Informações em Saúde), que custou cerca de R$ 10 milhões e deveria realizar o agendamento de consultas médicas por telefone, mas nunca funcionou. Por causa da empreitada, o município de Campo Grande foi obrigado a devolver pouco mais de R$ 14,8 milhões aos cofres da União.

Além disso, o caso respingou até mesmo sobre seu irmão, o deputado estadual Marquinhos Trad (PSD). Após ter colocado em dúvida a lisura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde, que apurava irregularidades no sistema, o parlamentar teve que explicar se tinha ou não interesse em abafar as investigações contra o familiar.

Foto: André de Abreu

Consórcio Solurb

A Operação Lama Asfáltica também representou mais uma pedra no caminho do petebista, que já foi casado com a deputada Antonieta Amorim, irmã do megaempresário João Alberto Krampe Amorim. O consórcio CG Solurb, que possui entre os sócios um dos genros do empreiteiro e ex-cunhado de Nelsinho, teve seu contrato questionado pela Polícia Federal.

Segundo laudo pericial da Polícia Federal sobre os documentos contábeis e fiscais apresentados pela empresa durante o certame, a Concorrência nº 66/2012 exigia comprovação de que a licitante tivesse Capital Social Integralizado de R$ 53,8 milhões registrado na junta comercial até a data do recolhimento dos envelopes, mas o CG Solurb não possuía o patrimônio mínimo exigido.

A comprovação da fraude significa que o Consórcio não poderia participar da licitação, muito menos ser considerado vencedor. Portanto, como a administração pública tem o poder de anular e revogar os atos que contrariam a legislação vigente ou o interesse público, o município deveria quebrar o contrato de prestação de serviços até o ano de 2038.

Bloqueio de bens

E os problemas não param aí. Mais recentemente, o serviço de tapa-buraco se transformou na principal dor de cabeço do petebista. Em março, o juiz Marcelo Ivo de Oliveira, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou o bloqueio de R$ 315.891.321,37 em bens dos ordenadores de despesa em gestões anteriores.

O ex-prefeito teve parte dos bens colocados à disposição da Justiça. Entre os veículos, duas Kombi, um Puma e um Tiguan. De acordo com a ação, tanto Nelsinho como os outros citados estariam envolvido em suposto esquema de superfaturamento de serviços e possível contratação irregular.

Com tantos questionamentos para explicar, Nelsinho acaba tirando o protagonismo do PTB e deixa o futuro da legenda incerto. O reflexo deste cenário está na indefinição do candidato da família Trad. Com nome mais conhecido e beneficiado pelos erros da atual gestão, Nelsinho seria o candidato natural do núcleo Trad, mas o passado complicado lhe deixa em desvantagem em relação ao irmão.