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Câmara retoma votação e pode cassar mandato de Bernal

Cassação Bernal

6 MAR 2014
Dirceu Martins
18h00min
Foto: Geovanni Gomes

A Câmara Municipal de Campo Grande está autorizada a retomar a sessão que analisa os resultados da Comissão Processante daquela Casa e vota pela cassação, ou não, do prefeito da Capital, Alcides Bernal (PP), conforme entendimento do ministro Felix Fischer do Superior Tribunal de Justiça, que suspendeu o acórdão proferido pelo desembargador sul-mato-grossense João Batista Costa Marques [que suspendeu a sessão da Câmara que decidiria a cassação do prefeito Alcides Bernal].

 

"Soubemos agora, durante a sessão, da decisão do ministro. Agora vamos nos reunir com a Procuradoria Jurídica da Câmara para decidir os procedimentos a serem tomados", disse o vereador Edil Albuquerque, presidente daquela Comissão.

 

O vereador reafirmou que não existe um ato deliberado contra o prefeito, mas que os parlamentares estão exercendo a defesa de Campo Grande, como exemplo, mencionou o discurso que havia proferido momentos antes, motivado por denúncia de funcionários de empresas de transporte escolar da região rural da Capital, de que seus salários estão atrasados pelo fato de os empresários não estarem recebendo os pagamentos devidos pela prefeitura.

 

"Um dos problemas mais graves é o fato de o prefeito ter cortado cabeças [da administração] que são fundamentais para o bom andamento da máquina pública. Quando da mudança de governo, mesmo que assumam partidos de ideologia opostas, alguns funcionários que trabalham há muitos anos no gerenciamento dos diversos setores, seja educação, saúde, infraestrutura ou outro, esse pessoal é mantido. O prefeito Alcides Bernal, por inexperiência e incapacidade administrativa decidiu pela remoção ou demissão dessas pessoas, causando um caos administrativo, no caso do município, e um enorme problema para essas famílias de trabalhadores", enfatizou Edil.

 

O presidente da Mesa Diretora da Câmara, Mário Cesar (PMDB), esperava por essa decisão do STJ, mas enfatiza que a questão é obedecer aos prazos do judiciário e do Regimento Interno. "Vamos fazer a nossa parte, estabelecermos os prazos legais para a retomada da sessão de julgamento. Não sabemos se cabe recurso à decisão do ministro Felix Fischer, ou se o prefeito vai recorrer. Somente após análise do teor da sentença é que poderemos marcar a data da retomada da sessão", disse.

 

A vereadora Luiza Ribeiro (PPS), da base aliada do prefeito, vê a criação da Comissão e a sessão de julgamento como uma questão política. "Essa obsessão pela cassação do prefeito é uma determinação mais política do que administrativa. Erros foram cometidos também nas administrações passadas e foram pouco investigadas ou contemporizadas. O que se vê é uma vingança articulada contra quem rompeu um ciclo de poder. Para que a cassação se dê, são necessários 20 votos e os vereadores deverão expor suas razões para o seu voto", enfatizou a vereadora.

 

Resultados prováveis - Em relação ao resultado da votação após o trabalho de ampliação da base do prefeito desenvolvido pelo secretário Pedro Chaves, Bernal conta na sua base com oito votos favoráveis; três votos petistas (Zeca, Ayrton e Alex), Luiza Ribeiro (PPS), Gilmar da Cruz (PRB), Cazuza (PP), Edson Shimabukuro (PTB) e Paulo Pedra (PDT), e quatro prováveis, Carlão (PSB), Alceu Bueno (PSL), Paulo Siufi (PMDB) e Dr. Jamal (PR). Se confirmada a boa atuação de Pedro Chaves, Bernal pode ganhar fôlego com os 12 votos que pode arregimentar. Paulo Siufi, declarou textualmente que votará pela cassação. Um voto a menos para a base.

 

Reação - O prefeito Alcides Bernal, em entrevista à equipe do TopMídia News, afirmou indignado que: "Forças querem o caos em Campo Grande", e garantiu que pretende lutar na justiça para reverter esta decisão. Mais uma vez o prefeito mencionou as forças que o perseguem e resultam em prejuízos para a população campo-grandense, e lamentou que isso ainda ocorra.

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