Diante das supostas irregularidades apresentadas pela atual presidente da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), Juliana Zorzo (PSC), em audiência pública realizada nesta terça-feira (3), o presidente da Comissão de Cultura, Chiquinho Telles (PSD) decidiu apresentar pedido oficial para abertura da CPI da Folia, que investigue os gastos com pagamentos de atrações artísticas e culturais bem como o calote dado em vários artistas. No entanto, momentos depois, durante a Sessão Ordinária, dois dos onze vereadores que apoiavam o pedido de Telles, retiraram suas assinaturas.
O vereador justificou a retirada da assinatura com o argumento de que a Câmara está sobre um barril de pólvora devido às despesas com as últimas CPIs que levaram à cassação do prefeito e, não vê sentido em instaurar a comissão, pois o Ministério Público está com toda a documentação e realiza as investigações necessárias.
Por entender que até o momento não há provas substanciais que permitam a criação de outra CPI, específica para investigar os gastos na Fundac, o vereador Delei Pinheiro, que presidia os trabalhos, também optou por retirar sua assinatura. Dessa forma, sem as doze assinaturas necessárias, o pedido não pôde ser apresentado.
A audiência
Na audiência, a diretora-presidente da Fundac, Juliana Zorzo (PSD), informou que foram feitos relatórios apontando irregularidades e enviados para o Ministério Público e ao Tribunal de Contas, que reconheceu indícios de irregularidades, superfaturamentos, pagamentos sem empenho e, portanto, deve abrir uma investigação sigilosa.
Segundo Juliana, do relatório consta a contratação superfaturada do cantor Peninha, contratado por R$ 47.500,00, sendo que há menos de um ano ele foi contratado por R$ 20 mil. Há irregularidades também na contratação da banda Terrasamba, que recebeu R$ 231 mil, sendo um cachê de R$ 55 mil, mais o valor da produção, passagem, transporte, translado. Só em passagens foram R$ 26 mil, mais R$ 65 mil de estrutura, sendo que a Prefeitura tem contrato de estrutura.
Assegurando contar com 12 assinaturas pela criação da CPI, Chiquinho Telles pretendia conseguir ainda hoje outras dez para garantir a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
O vereador Paulo Pedra (PDT) que fazia parte da base do ex-prefeito Alcides Bernal, não acredita que existam erros nas contratações. “A Juliana Zorzo não sabe o caminhão que caiu e não sabe o que é cultura. Ela é apenas uma menina que foi colocada lá”, afirmou. Sobre a criação de mais uma CPI para investigar irregularidades no governo anterior, Pedra retrucou: - ”Porque os vereadores não criam outra CPI para investigar a atuação do atual prefeito, Gilmar Olarte (PP). Estou querendo montar uma CPI paralela do Gaeco, tenho cinco votos aqui e irei atrás de mais dez” finalizou Pedra.
Insistente
Chiquinho Telles admitiu a não instalação da CPI, mas deixou claro que a Comissão de Cultura, da qual é presidente, fará audiências pela cidade para apurar e reunir provas que incrimem o ex-prefeito Alcides Bernal.
Em tempo de eleições e pelo fato de Chiquinho pretender concorrer ao cargo de deputado estadual, essa determinação em instaurar uma CPI, mesmo que Ministério Público e Tribunal de Contas estejam investigando as supostas irregularidades, e agora, levar as questões de valores das contratações para audiências públicas, deve servir mais como uma jogada política do que uma solução para os eventuais erros cometidos.







