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Política

Comissão de Ética esfria e julgamento de vereadores pode ficar para 2016

08 novembro 2015 - 14h03Por Rodson Willyams

Faltando cerca de um mês para o recesso legislativo, o presidente da Comissão de Ética da Câmara Municipal, vereador João Rocha, do PSDB, já considera a possibilidade de prorrogar o processo que investiga nove vereadores por quebra de decoro parlamentar para o próximo ano.

"O nosso trabalho é de avaliar e pode demorar o tempo que for necessário para que a gente possa fazer algumas averiguações e possamos fazer um juízo de forma justa e sobre essa questão. Ela não tem um prazo, não é que pretendemos estender até 2016, mas pode acontecer", justifica.

Segundo ele, o processo de investigação deve demorar por ser um número considerado de vereadores envolvidos nos escândalos revelados pela Operação Coffee Break. "Nós temos que analisar todas informações que foram compartilhadas e não podemos ser precipitados, temos que ficar antenados e subsidiados para que a gente possa formar um juízo mais justo possível", destaca.

Os nobres edis são investigados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que apura denúncia de possível compra de votos  de vereadores e oferecimento de vantagens que resultou na cassação de Alcides Bernal, do PP, em março de 2014.

Conforme João Rocha, os integrantes da Comissão de Ética estão 'debruçados' sobre o processo em que já receberam as defesa dos investigados. "O próximo passo agora é deliberar em cima dessas defesas que nos foram encaminhadas e analisá-las dentro de um curto espaço de tempo para concluirmos o nosso trabalho", explica.

O vereador Airton Araújo, do PT, é o relator da Comissão de Ética, e deverá analisar todos os documentos apresentados. "Ele deverá se concentrar e trabalhar em cima dessas defesas. Mas nós também fizemos um acordo para ajudá-lo nesse processo, para ele não ficar sozinho. Designamos o procurador da Câmara Municipal que deve auxiliar a Comissão de Ética e nós também vamos contribuir com essas análises", continua o tucano.  

Os vereadores investigados são Edil Albuquerque, Paulo Siufi, e o presidente afastado da Câmara Municipal, Mario Cesar, todos do PMDB; Airton Saraiva, do DEM; Waldecy Batista Nunes, o Chocolate, e Edson Shimabukuro, ambos do PTB; Gilmar da Cruz, do PRB; Carlos Augusto Borges, o Carlão, do PSB; e Jamal Salem, do PR.

Coffee Break

Deflagrada em agosto de 2015 pelo Gaeco, a operação é o resultado do cruzamento de duas investigações, da Operação Lama Asfáltica, da Polícia Federal e da Operação ADNA (Cheque em Branco - em que Gilmar Olarte é réu na Justiça) também deflagrada pelo Gaeco, por meio do Ministério Público Estadual.

No dia 25 de agosto, os agentes do Gaeco cumpriram 13 mandatos de condução coercitiva em que políticos e empresários queficaram detidos na sede do órgão para prestar depoimento ao coordenador do Gaeco, promotor Marcos Alex Vera de Oliveira. Objetivo era colher informações sobre a denúncia de possível compra de votos e oferecimento de vantagens que resultou na cassação de Alcides Bernal em 2014.

Durante o processo, o prefeito afastado Gilmar Olarte, do PP por liminar, cumpriu a prisão temporária determinada pela Justiça. O mesmo aconteceu com o empresário João Amorim, que conseguiu habeas corpus, e ficou menos de 24 horas preso. A investigação do Gaeco pode ser concluída até o dia 6 de dezembro.