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sexta, 28 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

Comissão de Ética vira palanque para defesa de citados na Coffee Break

Na Câmara

08 setembro 2015 - 13h20Por Rodson Willyams

Os nove vereadores que são investigados pelo Gaeco (Grupo de Atuação e Repressão ao Crime Organizado) esperam usar a Comissão de Ética, criada na Câmara Municipal de Campo Grande, para poder 'falar' e se 'defender' sobre os fatos ocorridos principalmente na Operação Coffee Break. As declarações foram dadas durante a sessão ordinária realizada nesta terça-feira (8), na Casa de Leis.

Para o vereador Airton Saraiva, do DEM, a decisão de abertura da Comissão de Ética atende as recomendações feita pelo MPE. "Nós estamos tranquilos para responder a imprensa, a sociedade e aos poderes. O MPE está fazendo o seu papel e a Câmara também, que envolve membros que precisam ser investigados e estamos tranquilos para dar todos os esclarecimentos possíveis".

Ao ser questionado sobre o fato de estar entre os parlamentares que fizeram parte da condução coercitiva durante a Operação Coffee Break, no dia 25 de agosto, em que ficou detido na sede do Gaeco. O vereador respondeu: "Nós fomos chamados para dar esclarecimentos. É nessa linha que a Câmara vai estar, e lógico, nós também somos investigados, temos que mostrar que nós não devemos e mostrar a sociedade que estamos tranquilos e preparados para isso", comentou.

Outro vereador que também foi detido para dar esclarecimento na sede do Gaeco, Waldecy Batista Nunes, o Chocolate do PP, afirmou que a instalação da Comissão de Ética deve dá oportunidade de todos os vereadores se defenderem. "Acho importante essa comissão. É uma oportunidade da gente se defender. Nós fomos depor, mas a sociedade não soube da verdade, sobre o que realmente está acontecendo. Por isso, essa comissão é importante".

Chocolate ainda afirmou que deixou o aparelho telefônico e o sigilo bancários disponíveis para que a Justiça analise todo o material. "Estou tranquilo sobre tudo o que está acontecendo", declarou.

O vereador Edil Albuquerque, do PMDB, ex-líder de Gilmar Olarte na Casa, e que também esteve entre os vereadores detidos na sede do Gaeco, comentou sobre o caso. "Agora eu vou ter a oportunidade de poder falar", disparou. E continuou: "agora a população terá  a oportunidade de ouvir o outro lado. Fomos depor na Justiça e agora vamos depor aqui em público e todos aqueles que tiverem interesse poderão acompanhar".

Sobre a questão de quebra de decoro alegado pelo MPE, Edil preferiu se limitar no comentário. "Vou responder aquilo que a Comissão preconiza", declarou. Ao ser também questionado sobre o porque a Casa nunca abriu um processo semelhante para investigar outros parlamentares o vereador afirmou. "Nunca teve fato. Nunca teve necessidade de uma comissão permanente, mas quando o fato requer necessidade, montou-se uma em menos de 24 horas".

O vereador Carlos Augusto, o Carlão, do PSB, outro integrante que ficou detido no Gaeco, disse que falou ao coordenador do Gaeco, promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, que conhecia o empresário João Amorim desde 1994, mas que nunca manteve contato com o empresário nos últimos 10 anos. "Se aparecer alguma conversa minha com ele, eu renuncio o meu mandato na hora. O que houve foi pessoas falando em meu nome, como teve por exemplo, uma conversa em que o Mario Cesar (presidente afastado da Câmara Municipal) falou ao João Amorim que eu votaria sim. Tentaram me convencer a votar no sim, mas eu disse a todos que iria votar conforme base nos relatórios. Não fiz parte de nada e não escrevi nada".

Vanderlei Cabeludo, do PMDB, outro que esteve detido e que depois retornou ao Gaeco para dar esclarecer outros fatos, disse que a Comissão de Ética foi criada na hora certa. "Acho que é necessário ter uma comissão assim em todas as Câmara Municipais do país. Eu sou dos membros,  faço parte e vamos trabalhar com toda transparência possível".

Cabeludo foi questionado se o fato de já ter ido prestar depoimento ao Gaeco não poderia prejudicar os trabalhos da Comissão de Ética. "Eu não sou investigado. Foi na qualidade de convidado apenas para depor. Acho que não prejudica nada e me coloco a disposição, inclusive a minha conta bancária e o meu celular que não foi apreendido para esclarecer qualquer dúvida", finalizou.

O objetivo da Comissão é apurar eventuais irregularidades cometidas pelos parlamentares, inclusive as recomendações feita pelo MPE, que pediu à Casa de Leis, investigação sobre a possível quebra de decoro parlamentar dos vereadores envolvidos na Operação Coffee Break.  Outros vereadores envolvidos como Paulo Siufi, do PMDB, e Gilmar da Cruz, do PRB, chegaram apenas ao final da sessão. Já Jamal Salem não esteve presente na sessão de hoje seguindo o velho ritual de antes.