A sessão desta quarta-feira (8) foi movimentada e marcada por muita confusão na Câmara Municipal de Campo Grande. Professores entregaram pizza do lado de fora, a base manobrou para adiar requerimento que pedia a convocação do prefeito Gilmar Olarte a comparecer à Casa de Leis e teve até intimação para que o secretário de Governo, Paulo Matos, para que fosse ao plenário para prestar esclarecimentos sobre a greve dos professores.
Com a presença maciça dos professores, que protestaram, gritaram palavras de ordem, a sessão começou esvaziada, mas aos pouco ganhou corpo com a presença dos vereadores Otávio Trad e Eduardo Romero, do PTdoB; Chiquinho Telles, Coringa e Delei Pinheiro, do PSD; José Chadid (Sem Partido); Carla Stephanini, Paulo Suifi, do PMDB; Luiza Ribeiro, do PPS; Paulo Pedra, do PDT; Marcos Alex e Thaís Helena, do PT, que presidia a sessão.
Por diversas vezes, a petista teve pedir para que os professores contivessem os ânimos sob a ameaça da sessão de encerrar os trabalhos. Após os ânimos exaltados, o presidente da ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais em Educação), Geraldo Gonçalves usou a tribuna para esclarecer alguns pontos. Ele afirmou que falta vontade política dos 29 parlamentares em resolver a questão.
"Falta empenho dos 29 porque, se quisessem, isso já estaria resolvido. Na segunda-feira (6), lá no MPE, na presença do promotor Sérgio Harfouche, na 27ª Promotoria, o prefeito e mais o secretário disseram que já pagam o piso. Mas na verdade isso é mentira. O secretário Wilson do Prado falou na reunião que só são 80 professores em greve. Ele desconhece a própria pasta, só hoje nós temos 70 escolas que estão com as atividades paralisadas. Ou seja, ele não sabe o que está acontecendo e o prefeito participa disto", atacou o professor.
Gonçalves ainda aproveitou a oportunidade para lembrar que o vereador Eduardo Romero, do PT do B, tem a missão de encontrar na CPI os problemas que motivaram a falta de recurso na prefeitura. "A CPI não pode terminar em pizza. Queremos receber nossos salários e que nos apresentem uma solução. O senhor, senhor presidente [Romero] não pode deixar que isso termine sem explicação", ressaltou.
Ao ser citado, Romero se manifestou e afirmou que o prefeito não tem se mostrado preocupado em resolver a questão."Ele não tem hombridade para resolver a questão, não tem hombridade para ser chefe do Executivo. Não levanta a bunda do seu gabinete para resolver essas questões", comentou.
O mesmo foi seguido horas depois pela vereadora Carla Stephanini, do PMDB, que lembrou que o prefeito está mais preocupado em ampliar o número de igrejas evangélicas em Campo Grande. "Campo Grande sofre com greves, falta merenda escolar. Ele não está preocupado com a administração, ele está preocupado com suas igrejas, que já aumento em 17. Cadê o líder? [se referindo a Edil Albuquerque que estava ausente]".
A vereadora ainda citou outro caso. "Ele ainda insiste em descumprir uma resolução do Conselho Municipal de Saúde, com o Cempe. Começou como uma coisa e agora a gente não sabe como vai terminar. Até a placa com o nome que tinha lá foi retirado. Como podemos ficar nessa situação?", indagou.
Assim que ficaram sabendo que o secretário de Governo, Paulo Matos, estava na Casa de Leis, os vereadores da oposição chegaram a pedir ao cerimonial para que confirmasse a informação e caso fosse verdadeiro, que o chamasse para dar explicações. No entanto, após desacordo com entre a própria oposição, o caso foi deixado de lado.
O fato do secretário estar na casa serviu de desculpa para alguns vereadores que estavam presentes no início da sessão saírem "de fininho". O motivo estaria ligado a um requerimento de convocação do prefeito. A justificativa era que os vereadores que estavam ausentes estariam em reunião na presidência com Paulo Matos.
Com isso, a sessão foi encerrada por falta de quórum. Porém, nem todos que saíram estavam na reunião. No momento antes do término da sessão estavam os vereadores Luiza Ribeiro, Thais Helena, Paulo Pedra, Otávio Trad, Eduardo Romero, Chiquinho Telles, José Chadid, Carla Stephanini, Cazuza e Marcos Alex.
Reunião
Paralelamente, Paulo Matos acompanhado do professor Geraldo e dos vereadores Delei Pinheiro (PSD), Airton Saraiva (DEM), Chocolate (PP), Chiquinho Telles (PSD), Coringa (PSD), Alex do PT, Paulo Pedra (PPS) e de Eduardo Romero (PT do B) fizeram a reunião e foi cogitada uma possível proposta encaminhada por Matos que poderia dar fim a greve. No entanto, o caso foi desmentido.
O professor disse que Matos está empenhado e que agora a tarde iria tentar um audiência com olarte e com o secretário Ivan Jorge. "Ele disse que está empenhado, mas a gente já sabe a resposta. Nós já fizemos a nossa proposta. A classe está flexível, topamos parcelar os 13,01% em 10 vezes. Vamos aguardar a resposta dele. A amanhã, às 9 horas nós temos outra audiência no MPE e vamos ver o que vai ser definido", finalizou o presidente. Com isso, a greve permanece na Rede Municipal de Ensino.







