Único a votar contra o projeto que aumentou em quase 70% o salário da prefeita Adriane Lopes (PP), o ex-aliado e vereador Marquinhos Trad (PDT) alega incoerência fiscal. Ele justificou a posição com base em um decreto assinado pela própria gestora.
"Quando a prefeita enviou, no dia 16 de março de 2025, um decreto de contingenciamento de despesas, ela reconheceu que a cidade enfrentava dificuldades financeiras. Aí, poucos dias depois, ela vem com um aumento de salário para si mesma? Isso é absolutamente incoerente", criticou.
O aumento aprovado elevaria o salário da prefeita de R$ 21.263 para R$ 35.462, representando um reajuste de aproximadamente 66%. Já a vice-prefeita passaria de R$ 15.947 para R$ 31.916, ou seja, um aumento de 100%.
Segundo Marquinhos, o impacto total da medida aos cofres públicos, somado ao efeito cascata nos demais cargos comissionados e gratificações, pode chegar a R$ 245 milhões durante o mandato. O caso, no entanto, ainda está em avaliação na Justiça, com os valores congelados por enquanto.
"Enquanto isso, apenas 4% dos servidores públicos foram beneficiados com algum tipo de reajuste. A cidade sofre com buracos, falta de fraldas nas creches, medicamentos em falta nas unidades de saúde, lixo acumulado e matagal nos canteiros. E mesmo assim, a prefeita se dá um aumento dessa magnitude?", questionou.
O vereador afirmou ainda que, durante sua gestão como prefeito, o único aumento concedido ao cargo foi de 4,17%, em 2020. “Não que o servidor não mereça. Mas a gente tem que dar o exemplo. E esse aumento, nesse contexto, é um escárnio com a população.”







