TCE Novembro
TJMS DEZEMBRO
Menu
quinta, 02 de dezembro de 2021 Campo Grande/MS
pmcg revia negocios
Política

CPI do Cimi quer convocar suposto cacique e indígenas repudiam

16 março 2016 - 15h22Por Izabela Sanchez

Após anúncio de que o suposto cacique guarani e kaiowá da Reserva Indígena de Dourados será convocado para depor na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), a AJI (Ação de Jovens Indígenas de Dourados) repudiou a convocação.


A AJI afirmou, através de publicação da página no facebook, que Renato seria “vendido favorável a bancada ruralista”. A associação também afirma que indígena não é cacique e não representa liderança para a comunidade. “Ele se diz um dos CACIQUES principais da aldeia de Dourados. É MENTIRA! Ele NÃO nos representa!”, afirma a publicação.


Renato foi entrevistado pelo jornal O Progresso, e na publicação é identificado como cacique. Na matéria, ele afirma que as ocupações feitas às margens da Perimetral Norte “não representam a vontade dos indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru e que estão sendo coordenadas por professores e diretores escolares, além de servidores de universidades e funcionários públicos, em busca de terrenos”.

Aproveitando as declarações feitas ao jornal, a deputada Mara Caseiro (PSDB), presidente da CPI, afirmou em publicação da assessoria na página da Assembleia Legislativa, que pretende convocar o indígena para depor. No texto, ela afirma que “o depoimento do cacique pode ser crucial para os trabalhos”.


A CPI investiga a ação do Cimi nos processos de ocupação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul. Os trabalhos chegaram a ser suspensos pela justiça federal, por decisão da 4ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, em decisão que considerou a CPI inconstitucional, acatando o pedido da Defensoria Pública da União (DPU).


Após a decisão, a deputada Mara Caseiro também recebeu multa de R$ 100 mil por continuar com os trabalhos da Comissão, conforme consta na decisão da 4ª Vara de Justiça Federal de Campo Grande. Ainda assim, uma decisão Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), do desembargador Fábio Pietro permitiu a volta dos trabalhos da CPI.


Confira a nota da AJI na íntegra:


“Esse indígena abaixo conhecido como RENATO vai depor na CPI do CIMI. 
Suas palavras é contra Os povos indígenas das retomadas de MS e também contra o Conselho Indigenista Missionário! Ele se diz um dos CACIQUES principais da aldeia de Dourados. É MENTIRA! Ele NÃO nos representa! É um indígena vendido favorável a bancada ruralista! 
Repudiamos esse tipo de ato de um indígena contra os próprios indígenas. 
Ele é um leigo e interesseiro! 

Ação de Jovens indígenas de Dourados.”