Participando de audiência pública em Campo Grande sobre a Reforma Política e o Pacto Federativo, o presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) voltou a defender o polêmico projeto da Terceirização e acusou os sindicatos e movimentos sociais contrários à proposta de mentir para os trabalhadores por causa de interesses pessoais.
“Os protestos são promovidos por pessoas com medo de perder o dinheiro de sindicato e usam o trabalhador de escudo. Não tenho medo de cara feia, de protesto. Esse dinheiro que eles gastam é do que arrecadam dos trabalhadores. Ficam pagando R$ 45 para morador da periferia agredir deputado”, alfinetou.
Cunha defende que o projeto vem para salvaguardar os direitos dos prestadores de serviço que trabalham em empresas terceirizadas. De acordo com ele, as empresas estão descumprindo os compromissos de responsabilidade solidária e não estão recolhendo os fatores previdenciários dessa categoria sem punição por causa de um vácuo legislativo existente. “Não regulamentar é que mantém a precarização”, disse.
Sobre a informação de que a ‘desculpa’ do peemedebista é uma estratégia para disfarçar o lobby feito pelos empresários a favor da aprovação, Cunha se defendeu afirmando que o projeto estava parado no Congresso Nacional há cerca de 11 anos, desta forma a rápida aprovação na Câmara não poderia ser considerada “a toque de caixa”.

Manifestantes ficaram de fora do evento - Foto: Geovanni Gomes
Durante seu discurso, o presidente ainda destacou que teria o apoio da Força Nacional Trabalhista e de toda sociedade, independente dos protestos que vem acompanhando sua caravana pelo país. No entanto, apesar dos aplausos dentro do plenário da Fiems (Federação das Indústrias do Mato Grosso do Sul), as pessoas contrárias à Terceirização foram mantidas do lado de fora do evento, contidas por grades de segurança.
Incluso nos panfletos da CUT-MS (Central Única dos Trabalhadores) de “procurado: deputados ladrões de direitos”, o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS), que votou favorável a Terceirização, aproveitou também para defender sua posição. Segundo ele, os movimentos sociais ‘esqueceram’ propositalmente de listar os ex-tesoureiros do PT, João Vaccari Neto, ou Delúbio Soares.

Deputado federal Carlos Marun (PMDB) - Foto: Geovanni Gomes
“Eu acredito que ela amplia a garantia de direitos a todos os trabalhadores criando duas castas. Ela foi moderada quando afastou as empresas de poder político. Os protestos são direito daqueles que são contra, mas acho que eles se revelaram contraproducentes. Sempre pouca gente e muita truculência, mas é um direito”, apontou.
O projeto de Lei que trata das terceirizações está em trâmite desde 2004 e foi colocado em pauta pelo presidente da Câmara. Após a suspensão da votação na semana passada, o projeto foi aprovado pela Casa de Leis na quarta-feira (22), sendo que a bancada sul-mato-grossense votou rachada, tendo quatro votos para cada lado. (Leia mais aqui).







