Não é declarado, mas o DEM (Democratas) vai cobrar o apoio que dedicou ao governador Reinaldo Azambuja (PSDB) durante as eleições estaduais.
Aliado de primeira hora, o partido tem interesse especial no município de Dourados, segundo maior colégio eleitoral de Mato Grosso do Sul e base eleitoral do deputado estadual Zé Teixeira (DEM).
Avaliando a possível janela eleitoral, que deve ser aberta após a conclusão da reforma eleitoral, o presidente regional do DEM, deputado federal Luiz Henrique Mandetta, admite utilizar da posição estratégica como integrante do governo para atrair novos aliados e, neste contexto, destaca que os tucanos devem gratidão à legenda.
“Nós podemos lançar candidatos [nos municípios] junto com o PSDB, com PMDB, com o PDT, mas nós sempre relembramos que o DEM foi o primeiro que deu condições políticas para o PSDB lançar o governador aqui no Estado”, destaca.
Questionado sobre uma possível evasão de quadros, uma vez que o partido estuda uma fusão com o PTB para evitar a extinção, Mandetta defende que poucos filiados devem deixar a legenda, pois estão alinhados com o programa ideológico do partido. Na esfera federal, a tendência deve ser a mesma, pois diversos parlamentares querem abandonar a base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT).
“O DEM é um partido que possui posições muito claras. Você pode fazer qualquer tipo de critica ao DEM, mas tem uma que não pode. É um partido que nunca foi muro. É um partido formado por pessoas de personalidade forte, que sempre expõem o que pensam”, justifica.
Interesses regionais
Sobre as eleições municipais de 2016, o presidente do partido mantém o mistério e garante que falta muito tempo para as convenções, mas faz questão de destacar que tem interesse em lançar candidato nos principais municípios de Mato Grosso do Sul, em especial em Dourados onde, segundo ele, o partido possui “lideranças expressivas” como o deputado Zé Teixeira.
Bem quisto no ninho tucano e amigo pessoal do governador, o deputado estadual já foi cotado para assumir uma das secretarias de produção provenientes do desmembramento da antiga Seprotur (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo), mas rejeitou o convite, pois tinha interesse na mesa diretora da Assembleia Legislativa.
Na disputa pela presidência, Zé Teixeira precisou abrir mão da vaga para garantir a formação de uma chapa de consenso com o PMDB, que possui a maior bancada na Casa de Leis e é essencial para a governabilidade no Legislativo. Por causa do acordo, assumiu a 1ª Secretaria da instituição enquanto Junior Mochi (PMDB) ficou com o posto principal.
Neste momento, o partido deve cobrar essas concessões e articular uma composição de chapa com o PSDB que, por sua vez, acaba de filiar o ex-deputado federal Marçal Filho pensando em voos solos. Se o partido pressionar, talvez consiga a cabeça da chapa nesta aliança, já que o pré-candidato do PSDB pode ser considerado um ‘estrangeiro’ que deve abrir espaço para projetos mais antigos.







