Preocupados com a proliferação de legendas de aluguel, os deputados estaduais apoiam os aspectos da reforma política que inibem a criação de novos partidos. Entre as medidas apontadas pelos parlamentares está o fim das coligações proporcionais, em análise no Congresso Nacional, que fortaleceria a unidade partidária das siglas já existentes.
“Eu vejo que precisa ser regulamentada melhor essa questão dos partidos porque hoje ocorre qualquer desentendimento e o político, ao invés de resolver essas discordâncias partidárias, cria um novo partido em que ele é o dono. Precisa regulamentar melhor para que não seja criado um partido novo todo dia afinal, depois, eles se juntam em um único bloco fazendo o papel de um grande partido”, aponta Renato Câmara (PMDB).
O projeto para o fim das coligações proporcionais foi criado para acabar com o comércio de tempo de televisão e rádio que costuma ocorrer durante a pré-campanha, em que siglas menores usam o espaço na mídia como moeda de troca para atrair aliados. No novo modelo, a distribuição do tempo ficará limitada à representatividade que a legenda possui no âmbito federal.
Para Marquinhos Trad (PMDB), a iniciativa é importante, mas deve ser acompanhada de outras mudanças. “Eu acho a criação de partidos em nosso país desnecessária, pois já existem partidos suficientes para que os candidatos possam escolher as ideologias que melhor lhe aprazem. Agora deveria ter uma atenção maior, um estudo técnico mais amplo, para ouvir o recado do eleitor que não vota mais em partido, mas sim na pessoa”.
Neste caminho, tramitam no Congresso propostas que trazem a discussão sobre o voto distrital e o voto em lista, inclusive com o apoio de iniciativas da sociedade civil e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Também seguem em análise projetos para o fim da reeleição para o Executivo, aumento do mandato para cinco anos e a coincidência das eleições.
Cabo Almi (PT) defende ainda que a reforma política seja acompanhada das reformas fiscal e do judiciário. Segundo ele, as ações devem melhorar a imagem da classe política. "Devido ao gravíssimo momento no país se faz necessário que essas propostas sejam aprovadas. Acho que vai nos devolver a credibilidade. Do movimento das ruas para cá, há um inconformismo geral e nós precisamos dar uma resposta para a população", completa.







