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Corrente petista defende fusão com PCdoB e PDT, mas encontra resistência em MS

Articulação é considerada uma opção contra a 'hegemonia conservadora liberal'

5 NOV 2016
Airton Raes
12h20min
Foto: André de Abreu

Em Brasília, uma fusão do PT com o PCdoB e PDT começa a ser discutida. No entanto, as lideranças petistas em Mato Grosso do Sul descartam a possibilidade, apesar de reconhecem que o partido está em crise e precisa ser reorganizado.

A articulação iniciou na Câmara de Deputados, entre alguns parlamentares filiados ao PT, liderados pelo deputado federal Décio Lima (PT-SC). Ele tem reunido políticos favoráveis à criação de um novo partido como alternativa para a esquerda enfrentar a ofensiva conservadora que tem sofrido.

“O que estou fazendo é o pragmatismo da política. Estamos diante de um cenário desfavorável, com hegemonia conservadora liberal, e achamos que o melhor é uma fusão dos partidos de esquerda, como PT, PDT e PCdoB”, justificou Lima.

O presidente do diretório estadual do PT em MS, Antônio Carlos Biffi, afirmou que essa articulação para criação de um novo partido está sendo feita por correntes com menos força dentro do partido. “Algumas pessoas dentro do PT acreditam que criar um novo partido seria a solução para essa crise que o PT está passando. Mas não vai acontecer. O que precisa ser feito é repensar o partido”. 

Apesar disso, Biffi reconheceu que a sigla está passando por um momento de crise. "A verdade é que o PT estava em uma zona de conforto e acabou se afastando da militância e dos movimentos sociais. Precisamos resgatar a militância", declarou.

O deputado federal Zeca do PT acredita que é prematuro esse tipo de articulação e que o momento é de reorganizar o partido. “Precisamos fazer um recadastramento sério. Temos muitos filiados que não participam mais. Diminuir a burocracia dentro do partido, que hoje utiliza os recursos para manter a máquina partidária e não tem dinheiro para a política. Precisamos rever a forma da eleição. Recuperar bandeiras históricas. Voltar a ser um partido de militantes. É necessária uma autocrítica e reconhecer que o PT errou. Só depois disso podemos pensar em um novo partido ou não”, disse. 

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) também concorda que é o momento de o partido avaliar os seus erros e realizar um congresso envolvendo a militância de todos os estados para uma discussão programática. “O PT precisa reunir a militância. Não pode ser uma decisão de cima para baixo, feita apenas com algumas lideranças. Tem que ser fruto de um processo de diálogo com a base, dos filiados. O PT precisa redefinir suas estratégias, um novo programa para conseguir sair dessa crise”.

O parlamentar disse também que já existe uma proposta da realização de um congresso no final do ano, a pedido dos diretórios estaduais, e que está no aguardo de aprovação da nacional. 

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