Acreditar que o Partido dos Trabalhadores possa sobreviver sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é pura ingenuidade política. O PT hoje se divide em Lula; quem ele indica e apoia para a presidência e em alguns recantos mais dependentes do governo federal; o pessoal do esvaziado Presídio da Papuda, uma vez que o Supremo Tribunal Federal caminha para ter a maioria de seus ministros indicados pela dupla Lula/Dilma; e os desesperados que se sabem envolvidos no escândalo da Petrobras. Se acabar Lula, o PT terá o mesmo destino da Arena, que foi totalmente desmantelada e do MDB, que desvencilhado das amarras do bipartidarismo permitido pela Ditadura, se transformou em um PMDB de restolhos.
O ex-presidente Lula, pretende influir neste segundo mandato de Dilma Rousseff, não na condição de ex-presidente, mas arrogando-se o direito de considerar que a presidente foi eleita por força de sua pregação política e ainda amparada nos programas sociais aperfeiçoados durante a sua gestão. A coluna “Pelos Cotovelos” de sexta-feira (7) publicada no TopMídia News, reproduzia diálogo de Lula com senadores petistas: “E caso, em sua santa ingenuidade, você pensar que Lula é apenas um ex-presidente, atente para a sua fala durante jantar/encontro com os senadores petistas: “Questionado sobre o novo titular da Fazenda [Ministério da], Lula reagiu: ‘Apresente três nomes’. (...) A reunião contou com a atual bancada de senadores, além dos eleitos”.
Matéria do jornal Folha de S. Paulo de sábado (8), sob o título “Lula quer indicar a Dilma pelo menos três ministros”, confirma a informação de que o ex-presidente pretende controlar a política econômica e setores de forte apelo eleitoreiro do atual/futuro governo. Lula está empenhado em apontar nomes para Fazenda, Educação e Cidades, fundamentais para alavancar seu projeto político para 2018.
Com a escolha desses ministérios, Lula pretende controlar importantes ministérios, sem abrir um confronto direto com o PMDB, que iniciou a fase de negociações ou chantagens eleitorais para ampliar sua ascendência no governo petista. O ex-presidente recebeu o aval da presidente para acompanhar de perto iniciativas e resultados, mas não “deu” um não definitivo às pretensões de Lula.
Dilma, com o desastre de suas políticas, com um ministério lotado de pessoas que sequer sabe o nome e outros tantos que prestam apenas para ouvir seus gritos e obedecer cegamente suas ordens, certas ou não, corre o risco de jogar ao limbo a atual administração federal, deixar sem suporte as administrações petistas estaduais e municipais e determinar o fim das pretensões de seu partido.
Ainda segundo informa a Folha, um aliado do ex-presidente, que também transita com liberdade pelo governo Dilma, foi taxativo: “Esse governo não pode dar errado. Lula acompanhará bem de perto”.
Dilma não tinha interlocução com o partido ou com os partidos da base aliada, agora, após a eleição e com o forte risco de um impeachment caso tenha seu nome envolvido com o caso Petrobras, está em puro mutismo. Alguns atribuem isso mais ao temor e à insegurança do futuro e menos ao exacerbamento de sua arrogância.
Os maiores entraves para os quatro próximos anos de governo petista são: o desgaste provocado pelos 12 anos de poder com poucas conquistas; a falta de cumprimento de promessas da presidente Dilma, o rompimento da interlocução do partido com a sociedade, principalmente com os eleitores mais jovens; os constantes envolvimentos do governo em escândalos de corrupção; a defesa insensata e incompreensível dos envolvidos e a atribuição a eles de uma mística de heróis.
Que Lula tenha como sua última batalha o ordenamento do ministério, por enquanto apenas um emaranhado de apaniguados nem sempre ou necessariamente competentes.







