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Política

07/08/2015 19:03

Diretor da Proteco gerenciava obras irregulares e negociava aditivos

Diretor técnico da Proteco Construções Ltda, o engenheiro Rômulo Tadeu Menossi teria atuado como o terceiro na linha de comando no esquema de fraudes em licitações de obras públicas em Mato Grosso do Sul.

Atrás apenas de Elza Cristina Araújo dos Santos e João Alberto Krampe Amorim, ele agia em várias frentes, dialogando com empresários, engenheiros, servidores públicos e autoridades.

De acordo com a PF (Polícia Federal), Rômulo era responsável por organizar as medições adulteradas, gerenciar obras e fiscalizar todos os serviços técnicos da Proteco, sempre repassando relatórios para o dono da empresa, João Amorim. Ele ainda saberia de todos os erros cometidos em medições de obras e, inclusive, teria pleiteado participação nos lucros dos “negócios escusos”.

Seguindo o modus operandi da organização, Rômulo participava dos acordos para fraudar medições. Em ligação interceptada pela PF em 16 de maio de 2014, um funcionário da Proteco identificado apenas como Franklin afirma que precisa fechar uma medição com Celso Tadeu Pegado, mais conhecido como ‘Mamão’, e recebe as orientações para fechar a medição da terceira nota em R$ 39,9 mil, descontando o que já foi adiantado.

Conforme as investigações da Operação Lama Asfáltica, ‘Mamão’ fornecia documentos para maquiar as medições cujos valores não corresponderiam ao efetivamente realizado nas obras. Ele teria sido apresentado a Rômulo Tadeu pelo fiscal da Agesul (Agencia Estadual de Gestão de Empreendimentos), Beto Mariano, que foi afastado da instituição em 9 de julho, data que foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede do Governo.

Entre as obras coordenadas por Rômulo, aparecem no inquérito da PF a pavimentação e recapeamento das rodovias MS-080, MS-430 e MS-040. Ele teria trânsito constante na Agesul, dialogando tanto com os fiscais de obras Beto Mariano, Hélio Yudi Komiyama e Marcia Cerqueira como o ex-secretário de obras, Edson Giroto. Também aparece ao lado de Giroto, quando o ex-secretário convida empresários para ‘cafezinhos’, ou seja, pagamento de propinas na linguagem da organização.

Em interceptação telefônica realizada dia 20 de maio de 2014, às 17h34, João Amorim manda o diretor técnico da Proteco a uma reunião na autarquia para acertar medições com os agentes públicos. “Porque tem que fazer a medição da [rodovia] 040, 430. Nós temos que fazer logo porque pode faltar dinheiro no período de eleição e não vir. [...] Ivinhema também é bom ir lá discutir que eu acho que estão te chamando para isso”, diz o empreiteiro.

Segundo a PF, o engenheiro garantia, juntamente com Elza Cristina, “o funcionamento da Proteco, movimentando gigantescos valores de dinheiro e contatando servidores públicos encarregados das fiscalizações das obras a cargo da empresa”, mesmo quando Amorim precisava deixar o Estado a passeio ou a negócios. Quando não conseguia resolver algum ‘problema’ por conta própria, ele recorria à sócia de Amorim e ao chefe maior da organização que também usavam de seus contatos dentro das entidades públicas.

Durante diálogo realizado em 24 de abril de 2014, às 14h37, Rômulo revela para Elza que está precisando agilizar o recebimento de medições para a entrada de recursos nos cofres da empresa, mas encontra dificuldades com a parte burocrática. “Deixa eu te falar, nós vamos fabricar dinheiro. [...] Só fabrica dinheiro pagando medição. E o Alan tá dentro da Agesul com as medições lá e ninguém quer receber. As produções lá. As medições das terceirizadas, a gente entrega todo dia 20, né? [sic]”, afirma.

Com seus contatos no Governo, Elza consegue resolver os entraves através de uma “amiga”, mas pede para seu interlocutor evitar a exposição do nome da Proteco na repartição pública e não usar envelopes com identificação. A solicitação, possivelmente, denota que outros servidores tinham ciência das fraudes e evitariam se relacionar com os membros da organização. Nos autos do inquérito, não há identificação sobre o funcionário Alan.

Assim como outros membros do suposto esquema de fraudes em licitações, Rômulo também teria evitado a compra de bens e serviços em seu nome. De acordo com as investigações, ele investiria recursos em nome da mãe no Banco Santander para evitar cair na malha fina. Durante ligações, ele movimenta aplicações no valor de R$ 104.431,62. O esquema é conhecido da PF, que até identificou o escritório que ajudava João Amorim nas declarações de imposto de renda. Leia mais aqui.

A Operação Lama Asfáltica investiga uma organização criminosa que teria fraudado diversas licitações em obras públicas de Mato Grosso do Sul. Os suspeitos teriam cometido os crimes de sonegação fiscal, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva e fraudes à licitação. 

O nome da investigação faz referência a um dos insumos utilizados em obras com indícios de serem superfaturadas. Entre os contratos com indícios de fraude aparecem as licitações para a pavimentação da MS-430, que liga o município de São Gabriel do Oeste a Rio Negro, o aterro sanitário de Campo Grande, o Aquário do Pantanal e as Avenidas Lúdio Coelho Martins e Duque de Caxias.

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