Dois anos após a deflagração da Operação Sangue Frio, que desarticulou a Máfia do Câncer em Mato Grosso do Sul e culminou com a demissão dos diretores dos principais hospitais do estado, bem como da então secretária de Saúde Beatriz Dobashi, os processos ainda estão tramitando na Justiça Federal. Apesar do tempo transcorrido, não é possível saber detalhes sobre os processos, uma vez que o caso ainda tramita sobre segredo de Justiça.
Naquele ano, na manhã do dia 19 de março, a PF cumpria 19 mandados de busca e apreensão, confiscaram documentos, computadores, R$ 200 mil e até uma arma. A operação tinha como alvos o Hospital Universitário, administrado pela UFMS e o Hospital do Câncer.
A investigação apontou que o Hospital do Câncer estaria sendo usado como fachada para desvio dos recursos. Os pacientes entravam pelo HC, mas o tratamento era pago para a Neorad. A Neorad era empresa de um dos diretores, Adalberto Siufi, que recebia os procedimentos com acréscimo de 70% maior a tabela SUS. Também era prática cobrar tratamentos em nome de pacientes que já haviam morrido e dar dosagens menores de remédio utilizado em quimioterapia.
Além disso, foram identificados diversos parentes de Adalberto empregados no HC. O médico chegou a ser preso por porte ilegal de arma, mas pagou a fiança de R$ 35 mil em dinheiro e foi solto logo em seguida.
Apesar de afastado do HC, Adalberto continua trabalhando como cirurgião nos hospitais particulares e conveniados de Campo Grande.
No hospital Universitário quatro pessoas foram afastadas imediatamente durante a Operação. Lá foi apurado o superfaturamento e obras, com valores muito acima da tabela Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), bem como indícios de irregularidades em pregões, concursos públicos e atuação direta do diretor José Carlos Dorsa na desativação da radioterapia pelo SUS, direcionando todo o tratamento para o HC e consequentemente à Neorad. Escutas telefônicas revelaram posteriormente imperícia médica de Dorsa e adulteração de laudo de uma cirurgia que terminou em morte.
Exonerado do HU e da UFMS, Dorsa continua trabalhando normalmente em sua clínica particular localizada no Jardim dos Estados, bairro nobre da Capital.
Ações judiciais ainda estão correndo
Até o momento foi divulgado no último mês de julho de 2014, que o MPF (Ministério Público Federal) e o MPE (Ministério Público Estadual) ajuizaram ação de improbidade administrativa contra seis pessoas apontados como responsáveis pela malversação de mais de R$ 102 milhões de recursos públicos, destinados à Fundação Carmen Prudente, mais conhecida como Hospital do Câncer Alfredo Abrão.
Os acusados são os ex-diretores do hospital Adalberto Abrão Siufi, Issamir Farias Saffar, Blener Zan e Luiz Felipe Terrazas Mendes; a ex-administradora Betina Moraes Siufi Hilgert; e o empresário e ex-funcionário do hospital, Adalberto Chimenes.
Eles podem ser condenados às sanções as penas de perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos.
Sobre os demais inquéritos, o MPF informou que não é possível fornecer detalhes, uma vez que grande parte do caso ainda está sob sigilo.







