A eleição era para definir o presidente da Associação de Moradores do Bairro Ramez Tebet. No entanto o que estava em jogo era a conquista de preciosos votos dos eleitores que compõem o grupo vencedor, qualquer que fosse, e que costumam atuar como cabos eleitorais nas eleições. A guerra travada para vencer a disputa, deixou clara a triste realidade de um povo que pretende mudanças, mas que se deixa convencer por pequenos favores.
Das três chapas inscritas, venceu a que foi apoiada pelo vereador Coringa (PSD), que disponibilizou seu veículo para o transporte de eleitores e seus assessores para apoio e fiscalização das eleições.
Dos 298 votos, foi eleita com 169 votos a presidente da Associação a autônoma Solange Aparecida Angel, filiada ao PSD e ligada politicamente ao vereador Coringa, para quem já trabalhou como cabo eleitoral. Segundo a líder, mesmo com a clara interferência de captação dos eleitores e seu deslocamento ao local da votação, Coringa “em momento algum induziu os moradores a votar”.
As Chapas concorrentes chegaram a protocolar pedido de impugnação da eleição, que não foi aprovada porque, como explicou a presidente da União Campo-grandense de Associações de Moradores em Favelas (UCAF), Patrícia Souza de Oliveira, o regimento foi obedecido e se houveram erros, eles foram cometidos pelos candidatos.
Concorrendo pela chapa 1, Rogério Vargas Tiago, que recebeu 69 votos, acredita que a escolha, que deveria estar restrita aos moradores e à sua determinação em buscar melhorias para o local, transformou-se em “campanha político-partidária”.
Liliana Simionato, pela Chapa 2, conquistou 57 votos e pretende recorrer ao Ministério Público Estadual contra o que considera serem erros grosseiros e contra o explícito apoio do vereador Coringa.
Independência
A participação de vereadores de forma tão ostensiva corre o risco de ser interpretada como um contrato informal de apoio partidário, e caso isso venha a ocorrer perde a comunidade que estará atrelada a um gabinete e não ao comando do executivo.
Mapear o município para uma atuação mais efetiva em benefício de populações locais é válido e salutar, mas interferir nas eleições, beneficiando este ou aquele candidato com “caronas” ou outros métodos, inclusive vetados pela justiça eleitoral nas eleições municipais, estaduais e federais.
O que fica de mais claro e alarmante em casos de beneficiamento de um ou outro vereador, deste ou daquele partido político e da utilização de métodos questionáveis, é o despreparo das populações menos assistidas em exercer seu voto com consciência, ainda escolhendo em troca de favores.
Aqueles que deveriam ser os maiores interessados em poderem exercer um poder de fato, conquistado pelo poder de suas ideias, seus ideais e dentro de programas partidários bem definidos, ainda preferem optar pela tradicional política que impede o país de sair do bloco dos Países intermediários econômica e socialmente.
Como existe uma relação muito próxima e íntima entre as diversas escalas de poderes, não é de estranhar, por exemplo, que Mato Grosso do Sul ocupe o 25º lugar em investimentos em Saúde, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), sem que as reclamações da população não sejam atendidas e explicações para isso sejam dadas.







